terça-feira, 29 de abril de 2014

PPP - Programa de Pacificação de Protestos

Um manifestante usando seus argumentos
para mostrar ao PM que ele é um
pacifista
Os protestos da população, procedentes ou não, atingiram níveis de violência nunca dantes visto no país que, devido à sua irracionalidade, pode ser colocado na conta do aquecimento e da paranoia global. Sem querer ser saudosista, mas na época da ditadura militar o povo ia para a rua sabendo qual era o alvo do protesto e quem devia ser combatido- o regime, e não o dono de um fusquinha ou da banca de jornal, estes tinham seus bens preservados. Hoje tudo que tiver  pela frente será destruído, saqueado ou incendiado, transformando as passeatas num mega arrastão.

De uma maneira geral as manifestações podem surgir de forma espontânea visando, por exemplo, reivindicar melhoria dos serviços públicos e protestar contra a violência do estado, por ordem dos traficantes contrariados porque algum membro da quadrilha foi preso ou morreu enfrentando a polícia ou, ainda, planejados por baderneiros profissionais. Hoje a maioria dos protestos se caracteriza pela violência, que sobe de intensidade quando existe o “dedo” do tráfico ou dos black bloc, atingindo padrão fascista. 

O resultado é que na maioria das vezes em que atos violentos são praticados, o maior prejudicado é a população, seja porque diminuiu a frota de ônibus, que já é precária, o pequeno empresário que vê seu estabelecimento ser destruído e saqueado, carros de pessoas simples que compraram os veículos à custa de muito trabalho são incendiados, trabalhadores ficam impossibilitado de chegar ao emprego e ainda ficam mais tempo em pé no ônibus porque a via foi bloqueada.

Mas uma ideia genial - falta de modéstia é fogo- capaz de resolver o problema e acabar com estes transtornos, sem proibir os baderneiros protestar de forma violenta, “baixou” em mim. A proposta é  se construir uma cidade cenográfica, semelhante em realismo aos cenários feitos no Projac para as novelas, destinada à realização dos protestos dos trogloditas carentes.  Assim teríamos passeatas de níveis 1 e 2, a primeira são aquelas que a população está a fim de defender seus direitos e criticar e expor graves problemas de forma pacífica como acontece nos países que contam com certo grau de civilidade, estas seriam realizadas na rua. Entretanto, quando a intenção é partir para o confronto e destruição- nível 2- elas seriam realizadas numa cidade cenográfica que seria uma espécie Passeatódromo, onde o trogoldita profissional ou de ocasião encontraria tudo que curte destruir e  alimentar a sua alma e desopilar seus recalques. Ela teria fachadas de agências bancárias de com caixas automáticos de madeira, carros e ônibus para incendiar (provenientes de ferro velho) bancas de jornal compradas na sucata, fachada de lojas para depredar, incluindo o comércio que representa o imperialismo americano, como o McDonalds, (ao entrar no Protestódromo cada manifestante receberia uma pequena bandeira americana para queimar) amplas vitrine de vidro que forma posta lá prontas para receber uma pedrada libertadora, postes com latas de lixo para serem queimadas, carros de reportagem para ser destruído, incluído pessoas com a jaqueta da Globo para serem xingadas, etc...Os manifestantes só poderiam entrar no Protestódromo com burka no rosto e quem tivesse postura meio passiva e com pequeno grau de destruição, seria convidado a se retirar.

Como os vândalos vão fechar a rua, haverá carros e ônibus com pessoas “indo” para o trabalho, seriam simulados engarrafamentos e figurantes na direção dos carros fariam cara de medo e indignação.  Profissionais que trabalham como dublês fariam o papel de PMs, batendo e jogando spray de pimenta nos manifestantes e eles de volta jogariam pedras  e  coquetel molotov. Depois de saciado o instinto sádico destruidor, os manifestantes iriam embora, alguns sangrando, mas felizes, a ponto de nem mais lembrar para o que estavam protestando, afinal revolucionário não se liga em detalhes.

Aí vem a pergunta que você deve estar se fazendo: quem vai bancar isto, a construção dos cenários, o pagamento dos figurantes, os ônibus e carros a serem adquiridos no ferro velho, etc...? Simples, o evento seria bancado pelas empresas mais prejudicadas pela ação dos vândalos, que são bancos, supermercados, companhias de ônibus, McDonalds e a prefeitura, que após as manifestações gasta uma nota preta para repor o mobiliário urbano depredado. Neste esquema sai mais barato repor um caixa eletrônico fake do que um verdadeiro, e assim por diante. Como será construída uma cidade cenográfica que irá sediar espetáculos realidade, pode-se pensar na possibilidade do projeto contar com incentivo da Lei Rouanet, afinal se  a Marta Suplicy financia até desfile de moda em Paris, por que não um show verdade no Brasil e que ainda não irá cobrar ingressos. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

As Dez Pragas do Rio de Janeiro


Em março os judeus celebram a Páscoa - Pessach- que comemora a libertação do povo de Israel do Egito onde há 3.000 anos foram escravos. Como a maioria sabe, o Faraó só libertou os judeus depois de Deus mandar dez pragas.

Parece que o Rio de Janeiro está vivendo uma versão moderna, e mais virulenta, das pragas do Egito, mas ao contrário de lá em que os dirigentes foram castigados, aqui a ira divina, segundo fonte bem informada que pediu anonimato, se abaterá sobre a população, isto porque Ele está inconformado com o fato do povão votar de forma irresponsável elegendo candidatos que estão compromissados com a família - deles- e não com o interesse da coletividade, votam de forma irresponsável, escolhendo aqueles que contam com boa lábia e fazem mil promessas ou é popular mas não contam com nenhum preparo, como artista, jogador, palhaço, pastor ou mesmo intelectual, além de reeleger aqueles com passado duvidoso e suspeita de terem praticado malfeitos, como, por exemplo, o atual líder na pesquisa de intenção de votos do Distrito Federal para a próxima eleição de governador, condenado  por corrupção.  

Por mais que se esforce, Ele não consegue vencer centenas de deputados, vereadores e governantes eleitos pelo povo e unidos na fé do objetivo comum- a corrupção, até para Ele, se a população não ajuda, o confronto é desigual. Assim, sem outra alternativa, teve que adotar medidas radicais para tentar reverter a situação, castigando a população do estado com dez pragas, enviadas todas de uma só vez, algumas na modalidade Combo, são elas:

1-      Combo 1-Escolas +Saúde Pública de quinta categoria
2-      Combo 2-Transportes público precário +Engarrafamentos monumentais
3-      Combo 3- Homicídios em níveis estratosféricos + Pivetes
4-      Combo 4- Praias Poluídas + Arrastão
5-      Descaso dos governantes com a infância e idosos
6-      Aditivos Milionários em Obras Públicas
7-      Burocracia
8-      Blacks Bloc
9-      Apóstolos da Demagogia – são aqueles que ganham em cima da miséria e pobreza
10-  ONGs Picaretas

Segundo ainda a mesma fonte, a única coisa que Ele pede para eliminar as pragas em definitivo é a população votar com consciência. Se isto acontecer se compromete acabar com as pragas e melhorar a qualidade de vida da população no espaço de apenas duas eleições. Mas Ele está desanimado, pois acha que é mais fácil aparecer o “dono” do dinheiro que o Maluf comprovadamente tem no paraíso fiscal da Ilha de Jersey, que ele naquela cara de pau que lhe é peculiar diz que não lhe pertence, do que o eleitor brasileiro votar com responsabilidade.
Se a sociedade dispensasse a política  a mesma seriedade
com que trata o carnaval o Brasil seria uma Dinamarca tropical



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Como a Propina Pode Ajudar a Saúde e a Educação Pública

 

Devido falta de planejamento e controle, o pagamento de propinas feito pelos empresários aos políticos e governantes está um caos, uma verdadeira bagunça, ninguém confia em mais ninguém, a suspeita é geral, um partido achando que o outro foi melhor aquinhoado, os senadores suspeitam dos deputados e vice versa, o baixo clero está revoltado, diz que sobra muito pouco na sua horta, pois, segundo ele, a maior parte fica para as lideranças.

Para resolver este grave problema que está interferindo na expansão da economia do Brasil, o que, inclusive, ensejou a redução do grau de investimento do país pela Standard and Poors, a solução é se criar a PETROPINA, uma estatal voltada para democratizar o recebimento e socializar a distribuição da propina. Toda grana paga por fora para aprovar projetos suspeitos ou superfaturados seria canalizada para os cofres da empresa, que funcionaria como uma espécie de Zona Franca da Propina, fazendo a distribuição da bufunfa para o seu público alvo com base numa matriz de valores (falta de).

Cada partido receberia a propina de acordo com a sua representatividade no Congresso Nacional e nível de periculosidade dos seus políticos, afinal profissional não pode ganhar o mesmo que amador.

As propinas seriam tabeladas em 20% e sobre o valor pago incidiria 15% de imposto de renda, o que legalizaria o seu recebimento, acabando com o problema de caixa dois que atormenta nossos políticos - eles não merecem isso -, revertendo o valor do imposto para a manutenção de hospitais e escolas públicas, ou seja, parte do dinheiro desviado da saúde e educação reverteria em seu favor.

Adicionalmente os políticos poderiam dizer com orgulho, sem nenhum constrangimento, que recebem propina, além de não depender mais dos jatos dos amigos para levar a esposa e os filhos, que moram a milhares de quilômetro da praia, para tomar banho de mar ou ele ver um jogo cuja partida a CBF colocou de propósito num estádio distante de Brasília, pois poderão comprar um avião para chamar de seu financiado através do Programa Meu Jatinho, Minha Vida.

A população também iria se beneficiar da corrupção, pois a Petropina seria uma empresa de capital aberto com ações vendidas na bolsa de valores, e as pessoas ao comprar suas ações iriam participar do seu resultado recebendo dividendos. Assim quanto mais corrupção melhor para todos, engenhoso, não?

A PETROPINA não terá diretoria em hipótese alguma caso contrário corre-se o risco dela desviar parte da propina recebida. O seu caixa seria gerido por um robô japonês apolítico.

segunda-feira, 10 de março de 2014

OS DEZ MANDAMENTOS, VERSÃO ATUALIZADA

Moisés está nervoso, não conseguiu dormir a noite toda, finalmente depois de esperar doze anos, recebeu um sinal Dele para ir ao Monte Sinai receber a tábua com os mandamentos. Quando chegou ao local combinado viu que ao lado de uma árvore frondosa havia uma tábua. Pegou-a e a colocou numa arca e voltou correndo, tinha pressa em voltar porque o povo estava indócil, insatisfeito com a sua gestão. Ele estava no poder há cinquenta e nove anos e tinha pretensão de prorrogar seu mandato por mais sessenta, mas o escândalo da compra superfaturada de camelos e cabras pipocou e a oposição pedia a sua renúncia. Mas a Tábua com os mandamentos que Ele lhe entregou era sinal de prestígio e o melhor cabo eleitoral que podia contar para debelar a rebelião.

Reuniu o povo nas dunas do deserto e, eufórico, começou a ler os mandamentos, quando terminou fez-se um profundo silêncio. A cara de todos era de espanto e incredulidade com o que tinham acabado de escutar a começar pelas mulheres que estavam injuriadas com o décimo mandamento que dizia: “....Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu touro, nem seu jumento, nem qualquer coisa que pertença ao teu próximo...”

Segundo elas o mandamento tinha nítido cunho machista, pois as colocavam no mesmo plano do jumento e touro, e, adicionalmente, jogava a autoestima delas para baixo, pois o que mais queriam era ser cobiçadas e desejadas. Qual o problema disso, perguntaram. 

Os escravos também ficaram revoltados com o polêmico mandamento, pois ele legitimava a escravidão ao dizer que ninguém deveria ficar de olho nos escravos do outro, ou seja, não estava preocupado com a liberdade deles, e sim com a preservação do patrimônio, no caso o próprio escravo e também as casas, latifúndios, etc.. o que, por tabela, ferrou o MST, e, por isso, muitos passaram a acusar Ele de ser neoliberal.

Já outra corrente da tribo estava inconformada em não poder cobiçar a mulher do próximo, determinação que era reforçada em outro mandamento que proibia o adultério, ou seja, a libidinagem mereceu dois artigos e o assassinato um - Não Matarás.

O que será que Ele tinha contra cobiçar a mulher do próximo, perguntavam todos, no deserto não tinha nada para fazer. Os mais radicais estavam revoltados porque teriam também que abandonar o Bezerro de Ouro, o que significava ficar no pior dos mundos, que era  trocar o de ouro pelo animal e, juntando tudo, praticar a zoofilia, pois mulher que é bom, nem pensar, a de casa não contava.

Mais existia uma brecha como mostrou os constitucionalistas da tribo, não havia nenhum impedimento de uma mulher cobiçar o marido da próxima. Isto acalmou o ânimo de todos, além de ter salvado o judaísmo, pois a maioria esmagadora sinalizava que iria continuar adorando o Bezerro de Ouro e comendo a mulher do vizinho.

Já o mandamento Não Furtaras foi motivo de chacotas, pois imbuídos de premonição, ninguém acreditava que aquilo no futuro seria cumprido para valer por algum governo. Durante anos zoaram de Moisés por causa deste artigo, ele mesmo foi pego anos depois desviando sal e destituído do poder através de impeachment, além de ficar proibido de entrar na terra santa. Esta é a verdadeira história porque Moisés depois de dezenas de anos vagando no Egito morreu na praia, ou melhor, no deserto, sem conhecer a terra santa.

O quarto mandamento, relativo à obrigação de se descansar um dia na semana - o sétimo-, revoltou os sindicalistas da tribo vinculados a ala dos Patriarcas Tradicionais- PT, que queriam que também fosse incluído no mandamento outros direitos para os trabalhadores como um mês de férias, licença prêmio, maternidade, paternidade, por viuvez, doença, aposentadoria com quinze anos de trabalho, direito de greve, estabilidade no emprego, FGTS, INSS, carteira assinada, adicional por insalubridade, o ar do deserto estava poluído, criação de feriados religiosos e cívicos como a Primavera dos Faraós, Dia da Criação do Planeta e Dia do Dilúvio foram algumas das reivindicações, a pauta era bem maior.

Tinha também a turma inconformada com o trecho que penalizava sucessivas gerações pela merda feita pelos antepassados “.....puno o erro dos pais nos filhos até sobre a terceira geração e sobre a quarta geração dos que me odeiam....”. Na mesma hora os constitucionalistas apresentaram diversas emendas para mudar este artigo, que até hoje está sendo apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça do Sinédrio. Enquanto ela não é aprovada centenas de milhões de pessoas pagaram e continuam pagando pelos erros dos antepassados.

No Brasil presente os descendentes das famílias Calheiros, Maluf, Sarney, Barbalho, Dirceu, Soares e outras igualmente ilustres estão inconsoláveis com este artigo e estudam a possibilidade de propor a revogação dos dez mandamentos e substituí-lo por um Código Divino Minimalista, que seria mais conciso e moderno. A ideia predominante é se criar uma nova Tábua com o Um Mandamento, que é aquele que versa e protege o latifúndio, o jumento e o touro - a mulher não seria mais incluída, porque ao contrário do acontecia no passado, hoje ela tem poder demais - revogando-se mandamentos em desuso ou fora de moda, como não roubar ou levantar falso testemunho. 


Amar e respeitar Deus entraria nas disposições transitórias, pois tem que se levar em conta o direito e crença – ausência dela- dos ateus e agnósticos, só que com texto mais atual e contundente: "Amar e respeitar Deus, caso contrário seus embargos infringentes nunca serão aceitos" 



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

UM VINHO COM BOA RELAÇÃO CUSTO BENEFÍCIO SEGUNDO UM MATEMÁTICO


Na semana passada encontrei um amigo de que não via há muito tempo. Após papo inicial tipo o que tem feito, tem visto fulano, como vão os filhos, etc...ele falou, quase em tom de confidência, que tinha feito três módulos do curso de sommelier. Por educação, pois a minha praia é cerveja, demonstrei interesse e fiz uma pergunta banal para ser agradável. Esta foi à senha que aproveitou para despejar com incontida satisfação todo o seu conhecimento sobre o assunto ou, mais provável, o que decorou do curso que realizou. 

Informou-me que o vinho tannat apresenta boa cor e excelente estrutura, possuindo sabor frutado, com leve passagem pelo carvalho, que lhe confere equilíbrio e complexidade. Já o malbec apresenta bom corpo e acidez balanceada. Sem dar tempo para dizer que estava com pressa e tinha que ir, ele arrematou dizendo que o seauvignon blanc é uma uva que produz um vinho seco, encorpado, de aroma herbáceo, sabor marcante e amargo que amadurece muito bem na garrafa, mas é extremamente sensível à podridão.

Devia ter notado minha impaciência para ir embora assim para finalizar o papo falou baixo em tom de confidência que se quisesse comprar um vinho com boa relação custo benefício que fosse ao Lidador que naquela semana estava fazendo uma super promoção do vinho Macarena safra 2003 por apenas R$150,00. Este vinho ganhou em 2013 a medalha de prata, categoria cabernet, dada pela Association de la Personne qui Pensent qu'ils Savent Vin.

Fiquei curioso e perguntei se a relação era 0,5. Ele disse que não, que o vinho era excelente e a relação deveria ser no mínimo, parou para pensar, 4. Aí foi a minha vez de replicar. Se a relação é 4 não vale a pena comprar, pois o vinho devia ser muito ruim, se ainda fosse 0,8 eu poderia pensar no assunto. Como ele ficou desconcertado com a minha resposta tive que explicar que encontrar o resultado da relação custo/benefício para o vinho era bastante complexo pois o custo era objetivo R$150,00, por exemplo,  mas o benefício era subjetivo e varia de pessoa a pessoa. Desconsiderando fatores subjetivos, argumentei que se o vinho custa R$150,00 e a pessoa achou  o vinho mais ou menos, matematicamente pode-se dizer que o benefício foi 75,  a metade de 150. Assim a relação custo - R$150,00 dividido pelo benefício - 75 é dois, em contra-partida se o prazer é o dobro, no caso 300- a relação é 0,5, assim quanto mais próximo de zero melhor a relação custo benefício.

Ao ouvir isto balançou a cabeça incrédulo e desanimado dizendo que isso iria causar muitos problemas para ele. Imagina recomendar um vinho para amigos dizendo que a relação custo benefício era 0,2, ninguém vai comprar, vão desqualifica-lo e ainda rir dele. Eu insisti  que não haveria nenhum problema para dizer isto e manter a credibilidade em alta ao falar que vinho perfeito era aquele que a relação fosse zero ou a mais próxima deste número. Dada a impossibilidade matemática de se ter uma relação ótima- zero - os sommeliers teriam que entender e utilizar o cálculo matemático de Limites com x tendendo a zero, operação bastante simples e onde x é igual a relação custo benefício.

Peguei um bloco na minha pasta e escrevi para ele mostrar para os amigos da confraria a fórmula para se avaliar se o vinho tinha uma boa relação custo benefício, ou seja o vinho perfeito:

(1 + ax)^(1/n) = 1 + ax/n + o1(x), sendo o1 uma função tal que o1(x)/x → 0 quando x → 0.
Analogamente

1 + bx)^(1/n) = 1 + bx/n + o2(x), sendo o2 uma função tal que o2(x)/x → 0 quando x → 0.

Supondo-se a ≠ b (se a = b o limite é trivialmente nulo), para todo x ≠ 0 no domínio da função, temos então que 

{ [ (1 + ax)^(1/n)] - [(1+bx)^(1/n)] } * 1/x
{1 + ax/n + o1(x) - 1 - bx/n - o2(x)} * 1/x = 
(a- b)/n +o1(x)/x - o2(x)/x. Logo, 

lim x → 0 { [ (1 + ax)^(1/n)] - [(1+bx)^(1/n)] } * 1/x = (a - b)/n + 0 - 0 = (a - b)/n.

Mostrei o papel dizendo que através daquela fórmula ele teria condições de avaliar, sem erro, se valia a pena comprar o vinho considerando a relação custo benefício, e, conforme a resposta, recomendar aos melhores amigos.

Ele agradeceu, pegou a folha de papel onde escrevi a equação falou que tinha compromissos urgentes que precisava ir e foi embora com passo rápidos, sem deixar o telefone.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

BRASIL UM PAÍS SURREAL

CUSTO DOS ESTÁDIOS: COMEÇOU COM R$ 3,8 BI,
 PASSOU PARA R$5,4BI E ESTÁ EM R$8BI
Existe certa de satisfação - eleitoral -por parte dos governantes quando falam dos benefícios da Copa do Mundo, ou como gostam de falar, o legado que será deixado nas cidades que se situam na rota da Jules Rimet que, para quem não sabe, é o nome da taça da Copa.  

Distribuídas em obras diversas, a maioria de mobilidade urbana, foram previstos gastos de R$22bilhões, alem de R$8 bilhões na construção ou reforma dos estádios, perfazendo R$30 bilhões.

Constatação Surreal 1- Foi preciso o país sediar uma Copa do Mundo e Olimpíada para os governantes fazer o que tem que ser realizado há décadas, independente de Copa, considerando apenas os interesses e necessidades de uma classe pela qual não nutrem muita simpatia, porque só faz reclamar e atrapalhar: o povo.

Constatação Surreal 2- Para investir R$22 bilhões em obras de infraestrutura, vão torrar adicionalmente R$8 bilhões, 37% a mais, em inúteis e dispensáveis estádios, como Manaus, Natal e Cuiabá, sem falar do estádio Itaquerão do Corinthians em SP, cidade que já conta com  o Pacaembu e Morumbi. Alias no Itaquerão além dos R$900 milhões tem que ser computado mais alguns milhões em incentivos fiscais doados pelo contribuinte paulista, incluindo os componentes da torcida Mancha Verde do Palmeiras. E o que dizer do Rio de Janeiro.O velho Maraca, que atendia razoavelmente bem as necessidades, com uma meia sola nos banheiros e melhoria da das acomodações ficaria no ponto para os torcedores, mas certamente, não atenderia o padrão FIFA. Por conta da Copa ele foi abaixo, só ficando a casca.  Quem vai pagar o empréstimo feito ao BNDES? Os empreiteiros que assumiram o estádio? O governo? Não, será o contribuinte fluminense (e flamengo, vasco, botafogo, bangu e também a turma dos sem time).

Constatação Surreal 3- Os governantes alardeiam que os altos investimentos que estão sendo realizados na construção de novos hotéis são decorrentes das Olimpíadas e Copa.Alguém em sã consciência acredita que um empresário irá investir R$40 milhões num hotel apenas por causa de dois meses de alto faturamento, um na Copa 2014 e outro na Olimpíada 2016? 

Constatação Surreal 4- Os governantes para obter verbas para fazer obras públicas conseguiram, via lobby político, emplacar a capital do estado dentre as doze cidades que irão sediar a copa. Assim cidades como Natal, Manaus e Cuiabá irão fazer algumas obras públicas pagando pedágio equivalente ao custo da construção de estádios caríssimos que ficaram ociosos após a Copa. Este pessoal merece o Prêmio Nobel de Economia e eleitos homens de visão do ano (ou década) pela Associação dos Empreiteiros.

Constatação Surreal 5-Já imaginou se os R$8 bilhões dos estádios fossem investidos em qualificação profissional e no apoio aos pequenos negócios Brasil afora? Para dormir tranquilo, é melhor não pensar.

Constatação Surreal 6- Pereira Passos e Carlos Lacerda não precisaram de nenhum evento esportivo para realizar as grandes intervenções urbanas no Rio de Janeiro, a motivação era fazer o que tinha que ser feito, só isso, e, aqui entre nós, deixaram um legadão.

Constatação Surreal 7 “A Copa vai projetar o Brasil no exterior”. Nisto eu concordo plenamente, a Copa está projetando no exterior toda a nossa incompetência gerencial, corrupção, violência urbana e problemas sociais.

Constatação Surreal 8- Esta é derivada da anterior “A Copa vai trazer turistas para o Brasil”. Reduzir a violência urbana, a poluição das praias e problemas sociais e, de quebra, melhorar os aeroportos, é o melhor marketing que se pode fazer para se atrair mais turistas, bem mais eficiente do que se fazer a Copa do Mundo.

Constatação Surreal 9- Esta é a mais melancólica. Quando começar a Copa, nada do que foi escrito acima será considerado importante ou lembrado pelo povão, ainda mais se o Brasil ganhar o campeonato.

Quanto a mim estou pensando seriamente em imigrar para a Macondo de Garcia Marques, cidade onde ocorrem coisas absurdas, mas nada comparado ao que está acontecendo na Terra de Vera Cruz.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

DOMINGOS PINTO BROCHADO: UMA ESTÓRIA DE SUPERAÇÃO

 PINTO BROCHADO É ADMIRADO EM UNAÍ
Dando sequencia ao jornalismo bicolor deste blog que se caracteriza pela militância verde e imprensa marrom, descobrimos, após meses de pesquisa, a cidade onde viveu a pessoa que pode ser considerada o patriarca, quase padroeiro, daqueles que sofrem de disfunção erétil. Seu nome é Domingos Pinto Brochado que  no século XIX fundou a cidade de  Unaí, localizada no oeste mineiro. Depois de passar por grandes dissabores na infância e adolescência, é hoje uma das pessoas mais reverenciada pelos habitantes do município, que em reconhecimento ao trabalho realizado em favor da  cidade deram seu nome a uma escola local.

Não se sabe por quê os pais relutam em colocar os filhos nesta escola, cuja camisa branca do uniforme traz escrito o seu nome, que, como é grande, foi abreviado para Escola Estadual D. Pinto Brochado. Talvez o problema seja  o fato de considerarem que a escola não é muito rígida no ensino, pois ninguém leva pau.

A vida de Pinto não foi fácil, teve que ter muita força espiritual para vencer o preconceito, tendo sido a primeira pessoa no mundo a ser estigmatizada desde a nascença devido aos problemas causados pelo seu nome. Na escola os colegas zombavam dele, faziam piadas, e ele, deprimido, só andava com a cabeça baixa, não a levantava de jeito nenhum, nem mesmo quando recebia incentivo das amiguinhas. Era conhecido na sala como Brochado, pois na turma havia outro Domingos. Quando a professora fazia a chamada e gritava Brochado ele corava, não sabia onde enfiar a cabeça. 

A chacota era recorrente em todos os lugares que ia, e isto o deixava deprimido e com traumas psicológicos, o que fez com que ficasse com o pinto brochado de fato. O nome e a situação passaram a ser uma coisa só, companheiros inseparáveis.

Mas Pinto Brochado foi crescendo e, dada a sua obstinação e força de vontade, venceu todas as barreiras, que não eram poucas, pois naquela época Brochado fazia parte de uma minoria, hoje não mais, se formou em contabilidade e se tornou um próspero comerciante e ativista comunitário.

Com trinta e cinco anos se casou com Maria Carmen, que conheceu na missa, pertencente a tradicional e rica família Bulhões do Rego, professora primária, prendada, católica fervorosa e, mais importante, assexuada, ou seja, casamento perfeito, pois juntou a ambição e disfunção erétil de Pinto Brochado com a fortuna e a assexualidade de Maria Carmen. Depois de casada passou a ser conhecida na escola que dava aula como Professora Bulhões do Rego Brochado.

A associação do município ao problema de brochura do seu fundador, feita jocosamente no decorrer dos tempos pela população regional, acabou, a longo prazo, se constituindo na maior fonte de renda e empregos da cidade, pois diversas clínicas do Brasil e exterior que tratam disfunção erétil, numa jogada de marketing, se instalaram na cidade, tendo sido construídos diversos SPAs para tratar o problema e criado um grupo de autoajuda denominado BA - Brochas Anônimos, no gênero, o primeiro no mundo. A atividade está se desenvolvendo tanto que o SEBRAE está analisando a possibilidade de criar no município o APL da Disfunção Erétil.

Devido a Pinto Brochado, Unaí é hoje uma cidade próspera cuja principal atividade é o turismo sexual, as pessoas vão lá para se tratar do problema. Em apenas dez anos foram construídos mais de quize hotéis e pousadas, restaurantes, o comércio se expandiu e a área de prestação de serviço igualmente cresceu. Tudo isso só foi possível graças à determinação, empreendedorismo e visão de Domingos, que mesmo de cabeça baixa enxergava o futuro.
SEU ANTÔNIO FELIZ  COM A NOVA NAMORADA
 APÓS SE TRATAR NUM SPA DE UNAÍ