quarta-feira, 5 de agosto de 2015

JE SUIS DILMA

A CUC - Central Única do Coveiros convocou os associados
para uma manifestação de apoio ao governo Dilma
Todas as atividades têm estações ou datas que vendem mais, chocolate, por exemplo, tem a páscoa, dias dos namorados, natal, inverno e por aí afora. Ar condicionado, ventilador, bebidas e moda praia faturam mais no verão.

Mas existe um segmento econômico que não conta com data ou período comercialmente bons, que é o setor de cemitérios. Não há, por exemplo, época de suicídio coletivo, o número de mortes nos finados é o mesmo de qualquer dia, ninguém pensa em desligar nesta data o aparelho que mantém o parente em coma vivo. Adicionalmente, existe outro fato que torna a situação mais grave: a expectativa de vida do brasileiro está aumentando, e  isto é uma tragédia para os donos de cemitério.

A moda agora é comer comida vegetariana sem agrotóxico, fazer dieta do mediterrâneo, se empaturrar de linhaça, aveia, chia e azeite extra virgem, não beber refrigerantes, fazer ginástica, meditação, check-up periódico, sem contar dezenas de revistas natureba propagando receitas para se viver mais e melhor. Esta maluquice só pode ter sido engendrada por algum grupo de cemitério multinacional para quebrar os nacionais e, assim, dominar o mercado. Que saudades da época do junkie food, agrotóxico era associado a maconha, que fumar dava status ou que filho gordinho era sinônimo de saúde.

Para estimular a demanda a Associação de Donos de Cemitério realizou uma promoção, tipo compre uma cova e ganhe outra de graça, mas, sem trocadilho, foi uma desgraça, ninguém se sensibilizou, as covas ficaram encalhadas, parece que o povão acredita que quem come linhaça não morre. Mas, no fundo, no fundo, o marketing não foi bom mesmo, acho que tem que ser feito igual às Casas Bahia, uma voz estridente berrando ”é só hoje, cova, carpideira, túmulo de alvenaria revestido de azulejo e flores, tudo isto só por R$5.299,99 em 24 prestações e a primeira só paga sem aumento depois de finados ou o Vasco cair para a segunda divisão, o que ocorrer primeiro”. Quem sabe assim a pessoa fique estimulada e compre jazigo para ele e também para presentear a mulher, filhos e netos no aniversário ou natal? Acha isto absurdo, então olhe para Brasília e veja quem preside a Câmara e o Senado. E agora, continua achando absurda a ideia?

O setor cemiterial, ao contrário do automotivo, não quer privilégios, como  subsídios, financiamento do BNDES ou verba pública, a única proposta solicitada  ao governo federal é para que baixe uma Medida Provisória aprovando a prática da eutanásia e liberar todos agrotóxicos. O segmento conta na Câmara com a bancada da eutanásia, mas depois que um deputado do grupo ficou em coma e a família foi contra desligar os aparelhos, ela perdeu a força.

A verdade é que a redução de mortes e enterros irá causar uma crise social no setor, muitos coveiros serão colocados em regime de lay-off ou mesmo despedidos. A situação só não está pior graças ao apoio recebido dos nossos poucos aliados, um deles é a Coca Cola que financia nos EUA pesquisas científicas para mostrar que a má alimentação e refrigerantes não fazem mal a saúde, o outro é o governo Dilma cuja desastrosa política econômica e social vem causando elevado estresse, pressão alta e depressão na população, e isto faz com que as perspectivas empresariais da atividade não sejam tão sombrias.  

Em reconhecimento, os proprietários de cemitérios e a CUC- Central Única dos Coveiros decidiram em assembleia conjunta realizar campanha a favor do governo, acusado pela posição de estar enterrando o país. Os coveiros usarão durante o enterro camiseta com a frase “Je Suis Dilma” e portando cartazes com a frase "Volta Mantega".A propósito, o governo Dilma só consegui 7% de aprovação porque contou com apoio maciço dos trabalhadores que integram o trade cemiterial. 

Se depender de nós, donos de cemitérios e coveiros, o PT fica mais 16 anos no poder, pois ele foi o único Partido que fez política econômica pensando no nosso segmento.
                                                             
A guerra contra os
cemitérios é pesada

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O Leão Cecil e os Pixulecos

Leão Cecil, caçaram o animal errado
Causou comoção mundial o abate do leão Cecil, símbolo do Zimbábue, pelo dentista americano Walter Palmer. Ele pagou U$50 mil ao governo local para ter o direito de matar o leão. Do ponto de vista legal não cometeu nenhum crime naquele país, entretanto sob o aspecto humanitário, ou mesmo leonitário, o ato foi um crime estúpido que contou com a cumplicidade das autoridades do Zimbábue.

É importante observar que alguns países, inclusive o Brasil, permitem que se abatam espécies exóticas quando elas ameaçarem a existência de animais nativos ou o seu crescimento populacional for elevado colocando em risco o equilíbrio do ecossistema. Recentemente o IBAMA liberou à caça a javalis. Este procedimento, para alguns polêmico, tem uma justificativa científica, que não era pertinente na morte do leão Cecil, ele estava no seu habitat natural e a população leonina vem decrescendo de forma acentuada nas últimas décadas.

Inspirado na justificativa da necessidade de se abater animais exóticos para preservar espécies nativas ameaçadas, talvez seja o caso de se permitir no Brasil o abate de uma espécie que contribui para a morte de brasileiros devido a sua ação predatória insaciável, estamos falando da espécie conhecida pelo nome científico de "hominis corrupti". Os primeiros exemplares vieram de Portugal no século XVI e se adaptaram bem aos diversos biomas do Brasil,  como a mata atlântica, cerrado, floresta amazônica, caatinga, eles estão espalhado por todo o país, o único lugar do Brasil que os corruptis não se adaptam bem é Curitiba. Entendeu por quê? Morou?

Segundo foi constado, o habitat preferido deles são as empresas estatais, fundos de pensão, assembleias legislativas, câmara dos deputados e governos. Existe uma espécie de "corrupti" que, a semelhança do João de Barro, é obreira, e pode ser encontrada aninhada nas sedes das empreiteiras. 

Na época da monarquia só existia no Brasil o "corrupti imperial", mas com a proclamação da república surgiram outras variedades, hoje são mais de trinta, destacando-se os gêneros PMDB, DEM, PTB, PP, PSB, PSDB, PC do B, e PDT, sendo que o mais feroz e insaciável é o tipo PT, até recentemente se achava o melhor de todos, mas depois que alguns exemplares foram engaiolados ou colocados no cativeiro em casa com uma coleira, ele rasgou a fantasia e assumiu que era uma espécie de PMDB com tintura vermelha para disfarçar, parou de posar com ar superior e evita, inutilmente, chamar a atenção.

O  padrão alimentar desta espécie é diferenciado, não são carnívoro, nem herbívoro, eles se nutrem de verbas públicas, chamada por eles de pixuleco, hábito que transmitem para a prole, irmãos, esposa e amantes. Cada subgrupo conta com o macho dominador, que só perde este status quando morre ou vai preso, dificilmente são desafiados por outros machos e expulsos da manada, afinal a gangue, ou melhor, o bando, tem a sua lógica.

Em que pese a existência de espécies nativas para combatê-los, como o foederati vigilum, popularmente conhecida como Polícia Federal e o ministérium  publicus, o crescimento da população de "corrupti" saiu da controle, a Transparência Internacional considera que a alta proliferação da praga no Brasil deve ser tratado como epidemia, tendo emitido um alerta vermelho, além de chamar a atenção para o surgimento de uma variante mais resistente, a prova de ministérius publicus, que é o "paus mandadus". 

Diante do exposto, acredita-se que não resta outra alternativa, as autoridades serão forçadas a liberar o abate da espécie, cada  cidadão teria direito de caçar até três exemplares adultos, preservando os mais jovens, estes contam com  alguma chance de mudar seus hábitos alimentares e, com isso, deixariam de ameaçar a vida  da população. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Retrato Caixa 2 do Brasil

Eu sou o autêntico e mais legítimo produto
gerado pela corrupção brasileira
Eu sou resultado da falta de ética, honestidade e da demagogia dos governos, políticos, judiciário, intelectuais e elite brasileira;

Eu sou a sujeira incômoda que todo dia é varrida para debaixo do tapete;

Eu sou o resultado da educação que não tive;

Eu sou resultado da tua falta de educação;

Eu sou resultado dos políticos que, de forma irresponsável, você deu o seu voto e carta branca para legislar e governar o país;

Eu sou resultado da tua passividade;

Eu sou resultado do brasileiro cordial e boa praça;

Eu sou o lixo, não ocidental, e sim brasileiro, nordestino, carioca suburbano e zona sul, que mora numa lata de lixo;

Eu sou a visão incômoda do fracasso da política social do sétimo maior PIB do mundo;

Eu sou o reflexo dos hospitais e escolas públicas, minha imagem decadente, miserável e abandonada personifica os serviços que o estado (não) oferece a sociedade;

Eu sou o mais legítimo produto produzido pela corrupção, quem duvidar, mostro meu certificado de origem;

Eu sou resultado do capitalismo selvagem, da corrupção, do patrimonialísmo, do sindicalismo de resultados suspeitos, da demagogia dos políticos e dos teóricos da pobreza;

Eu sou um apátrida no meu país;

Eu sou rejeitado por todos;

Eu rejeito todos vocês;

Eu sou a mosca que caiu na sua sopa.

A foto acima, tirada no dia 20 de julho, resume de forma dramática o significado e impacto da corrupção para a sociedade, ela transforma os excluídos em lixo humano. O personagem da foto estava dormindo sob um sol de meio dia na Avenida Presidente Vargas, próximo a Avenida Passos, com a cabeça dentro de uma caçamba de lixo da Comlurb, ela foi transformada na sua moradia, os seus pertences, alguns trapos, estavam lá dentro. 

Quando acordar a sua preocupação não será como irá arranjar dinheiro para pagar o IPVA do seu Lamborghini que está atrasado e, sim, como vai descolar R$1,20 para comprar um pão.  

sábado, 18 de julho de 2015

FILHOS À LA CARTE

Método Tradicional de Gerar Filhos
é Igual a CD, Vai Acabar
A evolução tecnológica na área médica é impressionante, o que mais impacta é a utilização de impressoras 3D para produzir órgãos para serem transplantados nas pessoas.

Há quatro anos médicos ingleses extirparam com sucesso um grande tumor embaixo da pele do rosto de um britânico, mas foram obrigados a remover boa parte do lado esquerdo do rosto do paciente.

Após o procedimento que salvou a sua vida, o paciente ficou com um grande buraco no lugar do osso da bochecha do seu olho e de parte da mandíbula e as diversas cirurgias plásticas para reconstruir o rosto do paciente falharam devido à quimioterapia e radioterapia que ele estava recebendo.

Diante do quadro, o médico o encaminhou para um cirurgião-dentista especializado em implantes que já havia utilizado a tecnologia de impressão em terceira dimensão para recriar algumas mandíbulas de seus pacientes, tendo utilizado seus conhecimentos na área para auxiliar a criação da prótese, e na realização dos procedimentos cirúrgicos de implante das peças. A parte da face do britânico que tinha um "buraco" - uma das bochechas-foi reconstituída e implantada.

A Universidade de Edinburgh, por sua vez, conta com uma impressora que faz células tronco embrionárias humanas vivas e que pode, também, imprimir vasos sanguíneos e tecidos cardíacos. A Wake Forest Institute for Regenerative Medicine, retirou células-tronco de um paciente com falência de bexiga, cresceu uma nova bexiga e transplantou no paciente. As pesquisas mais recentes estão focadas em órgãos impressos, tendo sido feito um procedimento recente em transplante de rins. Na China médicos usaram implante craniano feito em impressora 3D para salvar uma menina com hidrocefalia. Através desta técnica pode-se substituir a pele lesada por queimaduras. Recentemente o Laser Center Hannover na Alemanha imprimiu a laser células epiteliais, salvando um coração com problemas.

O que foi acima exposto é um resumo das inúmeras aplicações do 3D na área médica e biológica, o que nos leva a crer numa situação que pode ocorrer num futuro não muito distante, que é a mudança do paradigma tradicional para a geração de filhos, em que, como se sabe, os protagonistas são um macho e uma fêmea e a concepção se faz pela via do relacionamento sexual ou em laboratório, através da fertilização "in vitro".

A hipótese aventada é que a humanidade poderá contar com uma terceira via, que é a geração de filhos à la carte, tal como num jogo de lego os casais irão a uma clínica de 3D para “montar” seus rebentos de acordo com suas preferências estéticas.

Ao entrar no estabelecimento os casais irão preencher um cadastro que irá ajudar a customizar o baby. Eles irão assinalar as suas preferências, como sexo, tipo de olhos, cabelo, cor da pele, formato da boca, bunda, peito, nariz, lábios e rosto, tipo de orelha, DNA, neste caso informam se desejam que o rebento tenha aptidões esportiva, artística, cultural, empresarial ou política. O pênis também poderá ser escolhido, serão oferecidos modelos africanos, japoneses, brasileiros, etc...

Quem não quiser ter trabalho poderá optar por modelos prontos, mais baratos, mas não menos atrativos, pois serão parametrizados com itens que fazem sucesso no mercado, como os lábios da Angelina Jolie, os olhos da Liz Taylor, as sobrancelhas da Malu Mader e bundas de mulheres afrodescendentes esculpidas nas rodas de samba das Escolas.

Haverá, também, opções masculinas, variando entre o perfil másculo, marombeiro do gênero "eu dou porrada" até o visual intelectual revolucionário dos anos 60, sem contar que a genética de laboratório possibilitará que se escolham rebentos nos tamanhos P, M, G ou GG, que, adicionalmente, irão ficar livres de doenças, incluindo Alzheimer ou Parkinson, pois os embriões serão transgênicos cuja fabricação terá por base a tecnologia utilizada para se produzir semente de soja à prova de pragas. Fui informado que a Monsanto, maior fabricante de semente transgênica do mundo, já está pesquisando o assunto.

Imagino que os casais poderão receber garantia de 40 anos sobre os componentes, que poderá ser estendida para 60 anos mediante pagamento de uma taxa adicional. É importante ressaltar que, possivelmente, o seguro não cobrirá ética, honestidade, inteligência, opção religiosa, não há como prever se o rebento será ateu, hare krishna, católico, judeu ou evangélico, neste caso se quando criança pedir dinheiro todo dia, tem grande chance de que será Pastor. 

Também não cobrirá desvios no mundo político, como integrar a base aliada e inclinações sexuais, atualmente existem 53, o que só deverá acontecer, segundo nossos prognósticos, nos modelos da décima geração, mais ou menos daqui a 105 anos, mas aí será tarde demais, pois devido ao aquecimento global o planeta terra já não mais existirá e quem tiver condições irá se mudar para Marte.

Assim, o que sobrar da nossa civilização vai virar marciano fabricado em impressoras 3D, além de acabar com a dúvida se existe ou não vida em Marte, mas outra irá persistir, a de que se ela é inteligente.

Outro aspecto a destacar é que a proposta deverá contar com o apoio da igreja católica, que hoje admite, a contragosto, a relação pecaminosa somente para fins de reprodução, o que não será mais necessário após a utilização do novo método de concepção, ficando assim livre para combater o ato carnal de forma ampla, geral e irrestrita.

Por último, o novo método vai esculhambar de vez a teoria de eugenia ou raça pura, ainda advogada por grupos radicais, pois a terceira via irá fazer surgir alemão preto, loiro e com olhos puxados ou africanas ruivas e de olhos azuis, enfim o mundo- no caso Marte- irá viver num verdadeiro tropicalismo étnico. 

domingo, 28 de junho de 2015

Prêmio Algema de Ouro Francisco Targini

Aberta a votação para escolher
quem merece Algema
O Prêmio Algema de Ouro Francisco Targini foi criado para distinguir pessoas ou empresas que mais se destacaram no Brasil na área da corruptela. O nome dado - Francisco Targini, é uma homenagem a um cidadão português, descendente de italiano, que veio jovem para o Brasil no começo do século XIX, tendo sido nomeado arrecadador de imposto do Ceará, posteriormente foi promovido a tesoureiro-mor de D. João VI, ampliando de forma heterodoxa o seu patrimônio e poder, o que fez com que recebesse o título de Barão e, depois, Visconde de São Lourenço. 

Umas das estórias a seu respeito refere-se à compra de mantas para o exército que fizera a um fornecedor inglês. O hábil homem público teria mandado dividir cada uma das peças ao meio, revendendo-as (possivelmente através de uma empresa de fachada) depois ao governo pelo dobro do preço original, um ganho de 100% e não desprezíveis 3%.

A sua prática corrupta era amplamente conhecida no Brasil Colônia e no império, o povo recitava versos como “Quem furta pouco é ladrão,/ quem furta muito é barão,/ quem mais furta e mais esconde/ passa de barão a visconde” e “Furta Azevedo no Paço/ Targini rouba no Erário/ E o povo aflito carrega/ Pesada cruz ao Calvário. Assim, dada a sua qualificação e  folha corrida, pode ser considerado, com toda justiça, o patrono dos corruptos brasileiros.

Ele foi duramente combatido pelo jornal Correio Brasiliense que denunciava as suspeitas de corrupção e o seu súbito enriquecimento. Nome do proprietário do informativo: Hipólito da Costa Furtado.

O Prêmio irá homenagear pessoas e empresas que mais se destacaram na área da corrupção e, também, mostrar para a população aspectos da atividade que poucos conhecem, como as condições adversas e o destemor do corrupto para realizar o seu trabalho, que a atividade exige alta dose de sacrifico e criatividade, dada a burocracia estatal e centenas de leis descabidas, bem como a existência de vários órgãos de controle que dificultam a viabilização da operação, o que contribui para aumentar o custo Brasil, sem contar o olho grande do vizinho depois do operador vender o seu Ford Focus e comprar um Porsche zero quilômetro.

Se não bastasse, são obrigados a matar um leão do imposto de renda por dia, se pego em flagrante, tem que justificar para o Ministério Público que mataram o leão em legítima defesa, e isto é cansativo, mina as forças. Poucos sabem que o corrupto é caseiro, só continua na profissão por causa dos filhos e, também, por ideal, que é ficar milionário e deixar para a família um grande patrimônio no Brasil e exterior.

É tanta dificuldade e incompreensão por parte da imprensa e  invejosos, estes só são honestos por falta de oportunidade ou competência, que muitos só continuam corrompendo devido ao animal empreendedor que existe dentro deles e, também, porque não sabem fazer outra coisa na vida.  Às vezes pensam em jogar a toalha e atuar honestamente, só não fazem isto porque não contam com expertise nesta área, iriam fracassar, o que contribuiria para aumentar o desemprego no Brasil e como têm responsabilidade social, não podem ser honestos. A alternativa seria se aposentar, mas corrupto é igual prostituta, não consegue parar, no máximo tira férias nas Ilhas Cayman, Suíça ou Miami. 

Assim, no intuito de homenagear e mostrar o lado patriota da classe, a ABC - Academia Brasileira dos Corruptos lança o Prêmio Algema de Ouro Francisco Targini destinado a premiar os profissionais e as empresas que mais se destacaram, nas seguintes categorias:
1-    Empresa Privada
2-    Empresa Estatal
3-    Empresa de Consultoria
4-    Operadores ( doleiro e tráfico de influência)
5-    Poder Legislativo- Deputado, Senador e Vereador
6-    Poder Judiciário- Juízes e Desembargadores
7-    Governador e Ministro
8-    Personalidade Top Top do Ano (escolhido pelos selecionados)

Você que é profissional da área ou utiliza os serviços públicos de saúde, educação e os transportes públicos, participe, mande para a redação deste Blog o nome da empresa e profissional que você acha que merece ganhar Algema este ano nas atividades acima relacionadas, mas atenção, só pode votar em uma única empresa ou pessoa por categoria, sabemos que é difícil, dada a profusão de candidatos, a regra é inflexível mas, dependendo da conversa, dá para contornar.  

Realização: ABC- Associação Brasileira dos Corruptos 
Patrocínio- Clube dos Empreiteiros; Associação das Empresas da Área de Saúde, Sindicato das Empresas de Coleta de Lixo
Apoio: Petrobras, DNIT, Valec, Furnas, Eletrobras, Fundos de Pensão e PT
Promoção e Divulgação: Blog Reflexões Baratas 
Consultoria Técnica: Barusco, Maluf, Dirceu e Amigo Paulinho

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Carta Para o "Seu" Joaquim

Estas são as únicas damas que meus
amigos aposentados conseguem encarar
Prezado Joaquim,

Tenho 85 anos de idade e me aposentei do trabalho, mas não da vida, tento continuar na ativa. Depois de ver meus exames, o meu médico disse que a bola seis já foi para a caçapa e que estou pela bola sete, não entendo nada de sinuca, mas desconfio que deve ser coisa boa, pois meu número de sorte é sete.

Tomo a liberdade de mandar através do Blog Reflexões Baratas esta carta para o senhor para dizer que pode contar com o meu apoio para tirar o país do lodaçal em que se encontra, pois nós, aposentados irresponsáveis, temos parcela de culpa com a péssima situação econômica vivenciada pela nação, e eu não me sinto bem com isso.

Meus amigos inativos reclamam de barriga cheia, na verdade isto é uma licença poética, porque o valor da aposentadoria não tá dando para encher a barriga, pois, como o senhor sabe, nos últimos 23 anos houve uma perda de 83% na correção das aposentadorias superior a um salário mínimo. Por outro lado o Sindifisco informa que é de 64,28% a defasagem da correção da tabela do imposto de renda pessoa física ocorrida nos últimos vinte anos. Ou seja, o nosso poder de compra caiu e, em contrapartida, pagamos mais imposto de renda do que no passado.

Mas, quer saber o que acho? Na minha opinião estamos fazendo pouco, devemos colaborar e se sacrificar mais e parar de reclamar, não existe mais cidadania, os velhinhos só pensam em comer, fazer exames em jejum para depois tomar café de graça e comprar remédios, êta classe perdulária.

A sua chefa, Dona Dilma, pediu pra gente consumir mais para esquentar a economia. Eu bem que gostaria, mas fala pra ela que terá que esperar uns quatro anos, tempo que necessito para pagar o empréstimo consignado e o cartão de crédito, ambos renegociados, e o agiota, com ele não teve perdão, pois estou superendividado, fiz estripulias, passei férias em Lambari, comprei um pacote para Maceió, troquei meu fusca por um carro zero, um ponto zero, comprei um apartamento em construção aqui perto de casa, no Engenho de Dentro, dei para minha neta um celular novo cheio de coisas que não entendo e uma TV enorme para a patroa.

Meus amigos da praça onde jogo dama não conseguem entender porque o valor da aposentadoria deles é bem inferior a percebida pelos juízes, deputados e, igualmente, porque, quando estavam na ativa, não receberam as mesmas vantagens dada a eles. Tem um lá que é economista inativo e deprimido ativo, trabalhou 40 anos se aposentou pelo INSS com 67 anos e ganha R$4.663,00, enquanto isto tem juiz que foi aposentado por corrupção aos 53 anos leva para casa todo mês mais de R$28 mil. Eu acho isto normal, afinal estamos no país do futuro que não aprende com o passado, mas é difícil fazê-lo entender isto, cada dia que passa fica mais deprê. 

Pacientemente tento explicar que todas as mordomias e vantagens concedidas eram legítimas, mas eles custam a entender que o Brasil é a pátria da imoralidade legal, e, por isso, não há do que reclamar, tudo tá dentro dos conformes. Adicionalmente, toda sociedade desenvolvida tem que ter uma elite, caso dos parlamentares, governantes e juízes do Supremo, Superior e "Inferior" (primeira instância), burguesia e povo, e povo que se preza tem que ser explorado, se não for, passa faz upgrade para a outra categoria, só que não pode existir um país ou espaço sem povão, isto só acontece no Country Club, seria um absurdo, então mostro a importância cidadã de cada um deles para a formação da pátria, e que deveriam ficar muito orgulhosos com isto.

Ademais, desconhecem que os deputados para legislar de forma serena precisam de tranquilidade e os altos salários e mordomias que recebem tem esta função redentora, o mesmo sucede com os juízes que precisam da mesma matéria prima para poder julgar de forma justa, não deixar que iniquidades, como as concedidas a eles, sejam estendidas para o povo, se isto acontecer vira um caos, e os magistrados são contra a perturbação da ordem pública e a concessão de vantagens para quem não merece ou quando não tem lei que garanta o jabá.
  
Finalizando, gostaria, se não for indiscrição, que me saciasse uma curiosidade, o seu nome Joaquim é português, mas torce pelo Botafogo e não Vasco da Gama, o sobrenome é de origem judaica, Levy, mas, aparentemente, não é judeu e pratica política monetária heterodoxa num governo que quer distância disto. Se não for desrespeitoso, desconfio que o senhor personifica aquele  personagem Chacriniano que dizia que não veio para explicar, e sim para confundir, e, igualmente, acho que bateu um Raul Seixas no PT do "Seu" Lula, ele hoje não passa da velha metamorfose ambulante que está desdizendo aquilo tudo que disse antes (o senhor pode escolher quem é o sujeito da frase, o PT, o Lula ou ambos)

Voltando a sua particular e inusitada situação pessoal: ela lhe confere o risco de se constituir no sincretismo dos personagens típicos das piadas no Brasil: o português, o judeu, o economista e a segunda divisão (Botafogo), tudo isto salpicado pelo ajuste fiscal, que entra na cota do humor negro.

Se encontrar a Dilma, manda um abraço para ela e diz que quando for andar de bicicleta para levar todos os ministros e assessores, acredito que a acefalia pode ajudar a tirar o Brasil da crise, por isso sugiro que todo o ministério faça o Tour de France, que, de quebra, ajuda a matar as saudades das pedaladas. 

Saúde e força para o senhor conseguir encarar o Renan, Cunha, PT, empresários, base aliada, oposição, sindicatos, Movimento LGBT, os grêmios estudantis, donos de creches, enfim, todo o país, e saudações para a sua patroa e seus filhos, são os meus votos e dos aposentados aqui da Praça do Jardim do Méier. 


PS- Continue a trabalhar em prol do Parque do Aterro do Flamengo, o lugar é lindo, mas anda um pouco maltratado.  

domingo, 21 de junho de 2015

Confissões de Um Defunto

Velório Virou Happening
Morri antes da hora, justamente quando estava me inspirando para escrever uma crônica favorável ao governo Dilma, precisava só de mais um dia, mas o pessoal lá em cima não deu prorrogação, acabou o jogo no tempo regulamentar. 

Pensando bem foi melhor ter desencarnado - a garotada não usa o termo desencarnar, e sim fazer upload - antes de escrever a crônica, assim não corro o risco dos amigos encarnarem em mim achando que pirei ou que estou levando algum da Odebrecht para elogiar o governo. Nem uma coisa, nem outra, a verdade é que comecei a simpatizar com a presidenta depois que ela passou a andar de bicicleta e como gosto de magrela, no caso a bike e não ela que está magrinha e, também, porque torço para que o Brasil dê certo.

O que uma coisa tem haver com outra? Simples, enquanto ela tá na rua pedalando não está governando, as pedaladas são físicas e não fiscais, e isto é bom para o país, para a forma física dela e, adicionalmente, ajuda a sua impopularidade se estabilizar dez centímetros antes de chegar ao fundo do poço. No mais, o fato surreal de eu ter tido que desencarnar para evitar ser encarnado.

Agora estou aqui deitado neste caixão com um monte de gente em volta que não via há muito tempo, algumas até achava que já tinha morrido, e outras nem lembro mais. Fui antes deles, é verdade, mas pelo visual de alguns que circulam sorridentes, não demora muito terei companhia. E o que dizer do exagero das coroas de flores em cima de mim, logo eu que tenho alergia a pólen, ainda bem que morri, se não estaria espirrando sem parar, o que mostra que morrer tem suas compensações.

Alias velório é tudo igual, enquanto tem meia dúzia de pessoas paira uma certa  solenidade, todos com caras tristes e pesarosos, à medida que vai enchendo vira reunião social, o cidadão que tá ali deitado deixa de ser defunto e vira anfitrião, as pessoas chegam olham rapidamente para ele com semblante compungido, balbuciam qualquer coisa, que tanto pode ser gente boa, como canalha, dão meia volta e vão para o que interessa, fazer social.

Na verdade o velório virou um dia de congraçamento, bem melhor que casamentos em que as pessoas prestigiam com a certeza que daqui a pouco vai acabar e terão que voltar de novo para se solidarizar com a repetição do erro dele ou dela, mas velório não, a morte é para sempre, o cidadão que está ali deitado inerte não vai sacanear os presentes, todos tem certeza que ele não irá reviver e morrer de novo. Aqueles que vieram participar, ou melhor, comemorar o velório, aproveitam para atualizar o papo, marcar programa, fazer negócios, azarar, enfim, uma grande festa e eu aqui imóvel, sem poder dar meus pitacos. Repasso alguns fragmentos das conversas que consegui ouvir que rolou na minha festa de despedida: Malbec melhor custo benefício, Lidador, Estação Botafogo neste fim de semana; impeachment da Dilma, Neymar, Flamengo... (inaudível) compras, Miami, High Line, Capadócia, botox, silicone, surreal, perua, vou embora do país, vamos dar um pulo no me apartamento depois do enterro...

Fiquei surpreso de ver o Cadú no velório, nos últimos meses fugia de mim como a Dilma das manifestações públicas, me devia uma grana preta, agora o filho da puta está na minha frente me olhando com ar de pesar, mas, no fundo, deve estar feliz e aliviado.

Nunca esquentei muito a cabeça se existe reencarnação, e ainda não posso dar a resposta a isso porque estou a caminho, não cheguei lá em cima. Meu medo e ela existir e eu voltar em forma de lesma ou mosquito da dengue, o que significa que serei perseguido por todos ou, pior ainda, poderei voltar em forma de político, que no Brasil é o rejeitado alfa, tá no topo da pirâmide, acima do mosquito da dengue, que só existe porque o rejeitado alfa desvia dinheiro do saneamento.

Alias, quem foi o infeliz que teve a ideia de colocar este terno jaquetão tecido xadrez old fashion em mim, fiquei meio ridículo, só faltou besuntar meu cabelo com brilhantina. Podia ter botado algo mais descontraído, condizente com o clima alegre das pessoas que estão no velório, um traje casual ou, para radicalizar, uma roupa de mergulho, incluindo máscara e snorkel. Sabe como é, a última imagem é a que fica, e como as anteriores no plano terreno não foram muito boas, podiam ter caprichado no último visual consultando um personal stylist de velórios. Só espero que ninguém tenha a infeliz ideia de fazer um selfie comigo.