segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Rio de Janeiro: Havaí ou Bagdá?


São correspondentes de guerra. O de baixo chama-se Tim Hetherington, indicado ao Oscar 2011 pelo filme “Restrepo”, morreu em 2012 na Líbia, aos 40 anos de idade, na explosão de um tiro de morteiro. Ele cobriu inúmeros conflitos ao longo dos seis últimos anos, a maioria no continente em que morreu. Passou a maior parte da década passada na África Ocidental, documentando levantes políticos e seus efeitos na vida dos habitantes da Libéria, Serra Leoa, Nigéria, Sudão e outros países vizinhos.
Os que aparecem na foto de cima são brasileiros e alguns estrangeiros que cobrem as batalhas de uma cidade que teoricamente não está em guerra, mas na prática, sim, e os confrontos travados são tão perigosos quanto as que ocorrem na África e Oriente Médio. Estamos falando do Rio de Janeiro e a foto é um flagrante de uma das inúmeras Batalhas do Alemão.
As forças de segurança do governo estadual, que, eventualmente, conta com o apoio do exército, combate os traficantes e milícias com armas pesadas, incluindo veículos e helicópteros blindados e, às vezes tanques de guerra, e eles se defendem e atacam com armas de guerra com alto poder destruidor, havendo igualmente batalhas entre milicianos contra traficantes e entre facções diferentes de traficantes, as batalhas e mortes são diárias, não há trégua.  Não seria despropósito comparar esta situação com as batalhas travadas entre sunitas contra xiitas, somadas as que ocorrem entre entre as diversas facções das duas correntes religiosas, e, no meio desta confusão, o exército perdido dando tiro para todo lado.  
Tanto o correspondente na Líbia quanto àqueles que cobrem as batalhas do Rio de Janeiro usam colete à prova de bala, pois ambos os conflitos oferecem perigo de morte. Em que outra cidade europeia os jornalistas são obrigados a usar coletes prova de bala para trabalhar em áreas conflagradas. Em que outra cidade que está entre os cinquenta maiores IDH, os traficantes encaram - e atacam - as forças policiais e exército com armas pesadas? Em que outra cidade civilizada a força policial perde em tempo de paz 73 componentes da sua tropa, mortos na guerra contra os bandidos, e isto até agosto de 2014. Em que outra cidade com razoável nível de civilidade, problemas policiais causam milhares de mortos e feridos entre as forças de segurança, traficantes e milicianos, além de matar ou ferir dezenas de pessoas inocentes vítimas de balas perdidas?  

A notícia abaixo, que saiu no O Dia de 09/8/14, retrata o estágio da guerra travada no Rio de Janeiro:
“O número de policiais militares mortos em 2014 chegou a 73 nesta terça-feira, de acordo com a PM. Dessas mortes, 14 ocorreram com policiais militares durante o serviço. Já as outras 59 aconteceram quando os PMs estavam de folga. Entra nestes números o subtenente Marcelo Dantas dos Santos, de 47 anos, executado com vários tiros de pistola e fuzil na Fazenda Botafogo, Zona Norte do Rio, e o soldado Douglas Costa da Silva, encontrado carbonizado dentro de um carro no bairro Jardim Gláucia, em Belford Roxo, na Baixada, na noite e manhã desta segunda-feira, respectivamente”.
O final da estória aqui, porque lá fora continua feroz, é constatar que, devido a rotina, a maior parte da população não se sensibiliza mais ao ver na TV às guerras nas favelas, que às inúmeras mortes ocorridas nestas batalhas se desumanizaram, viraram estatísticas, a exceção só acontece quando o palco da batalha acontece em favelas próximas da casa do cidadão, aí a coisa muda de figura, assumindo aspecto dramático e de indignação. Também se acha natural, nem se percebe mais o absurdo do fato, ver um repórter cobrir operações policiais nas favelas ou em comunidades carentes usando colete à prova de bala, igual ao que Tim utilizava nas sangrentas batalhas na África e Oriente Médio, indumentária também usada, por razões obvias, na Síria e Iraque. 
Devido a recorrência, a violência esta sendo banalizada no país, o absurdo virou normal e a  grande preocupação da sociedade é se vai chover no carnaval ou dar praia no domingo. Isto me deixa mais saudoso do cenário do tempo em que Caetano cantava o "Havaí é aqui", porque hoje, a cada dia que passa, Bagdá fica cada vez mais próxima do Rio de Janeiro.









Um Vórtice de Aliterantes

 Foto de um vórtice de aliterantes 
“Sílvia levou a língua inglesa a vórtices de antagonismo sintático, a uma escala de sons espinhosos e aliterantes dos quais brotam imagens surrealistas dificilmente traduzíveis” (...) ela tinha uma poesia hermética, ríspida, sarcástica, agressivamente feroz, às vezes desnorteante....”, assim o crítico Ivo Barroso faz a resenha das obras da escritora americana Sylvia Plath, que se suicidou aos 30 anos em 1963, que saiu no suplemento Prosa do O Globo. Segundo informações, o crítico, cujas análises são emprenhadas de vórtices intelectuais, não pensa em se matar. 

domingo, 12 de outubro de 2014

Hi-tech is High Crazy

Em 30 anos o mundo será nosso
De acordo com a Interbrand,  a marca Apple é a mais valiosa do mercado, valendo U$118 bi, seguida da Google U$107 bi, Coca Cola U$81 bi, IBM U$ 73 bi e Microsoft U$ 62 bi, que somadas dão U$441 bi. Atenção, não é o valor das empresas e sim das marcas e a Coca Cola é a única da lista que não é hit-tech. 

Para se ter uma ideia da dimensão desta grana, ela é maior que o PIB de 164 países como, por exemplo, Grécia, Finlândia, Singapura, Malásia, Hong Kong e Israel, estaria uma posição na frente da Argentina, e seria o vigésimo sétimo maior PIB do mundo.


O valor da marca Google, isoladamente, é igual aos PIBs da Croácia e Bulgária juntos e a empresa só foi criada em 1998, há apenas dezesseis anos! O que isto significa? O que sinaliza? Não tenha a mínima ideia, pois meu teto de pensamento e racionalidade só chega ao valor de uma mega sena acumulada, tipo R$70 milhões, daí pra frente minha mente congela e saio do jogo. Mas, desconfio, que o "Admirável Mundo do Novo" do Aldous Huxley é coisa do passado e o projeto homem, do jeito que Ele concebeu, corre o risco de em pouco tempo ficar obsoleto e ser substituído por um novo modelo criado por GodTech, com a benção de Isaac Asimov. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Agora vai: Modelo PSTU Para Governar o Brasil

Militantes á postos
destruir, decapitar e refundar
Se for executada metade das propostas econômicas que consta no site do PSTU que tem por objetivo acabar com a pobreza, o primeiro alvo serão os burgueses ricos, reacionários e imperialistas (faltou algum adjetivo?) e, na sequencia, os pobres, que em dois anos irão sentir saudade da época que havia papel higiênico, produto que se transformou na logomarca dos regimes sociais populistas, que são aqueles que substituem a meritocracia pela demagogia “revolucionária” e, como todos sabem, faltar papel higiênico num regime de merda é complicado. Como não poderia deixar de ser, só irão ficar bem no regime social-populista os dirigentes do governo e os líderes partidários e sindicais.

Se duvidar do que se afirma, então veja o programa econômico proposto para o país pelo PSTU, que guarda semelhanças com o dos demais partidos comunistas, mas alguns envergonhados se dizem socialistas porque o filme do comunismo está queimado. Veja as preciosidades:

·         Todo aquele que boicotar a economia do país deve ter seus bens imediatamente confiscados e suas empresas nacionalizadas, colocando-os a serviço do país e da população (não importa qual a noção do que seja boicote e sim que tô de olho num apartamento duplex da AV. Delfim Moreira, cujo dono tem cara de boicotador).
·         Formação de uma frente de países devedores pela suspensão do pagamento da dívida (imagina este dream team- Brasil, Venezuela, Bolívia, Argentina e Equador, pensando bem, melhor não imaginar)
·         Reajuste mensal de salários (vou precisar fazer tratamento devido à overdose de aumento)

·         Congelamento dos preços, tarifas e mensalidades escolares (aumento mensal dos salários dos professores e congelamento das mensalidades, o resultado será ótimo, com certeza a qualidade do ensino vai melhorar)

·         Estatização do sistema financeiro os bancos são instituições parasitárias e altamente lucrativas, voltados para a especulação e o lucro fácil (tem que fazer igual ao BB e CEF que são instituições de caridade, cheque especial e cartão de crédito não tem juros)
·         Expropriação e a estatização dos bancos, utilizando seus enormes recursos para garantir investimento nas áreas sociais e na infraestrutura (apoio, tem que acabar com os bancos e voltar ao escambo - atenção: troco minha bicicleta enferrujada por feijão)         
·         Expropriação sem indenização das empresas e reestatização das empresas privatizadas. (mais empresas estatais significam mais boquinhas para empregar os líderes sindicais e a nossa corriola nos cargos de chefia, que serão multiplicados por 10, que é para acabar o desemprego)  
·         O Estado deve controlar o comércio exterior do país, definindo uma política de exportação e importação que esteja a serviço das necessidades do povo explorado (vamos importar médicos de Cuba e democracia da Coréia do Norte e exportar o excedente de macaxeira)
 Analisando-se o modelo econômico do PSTU, constata-se que todos os países são otários, pois pagam suas dívidas, não concedem reajustes mensais de salários, não expropriam a propriedade privada para dar para o povo e não estatizaram os bancos. Como diria o Anselmo, deve ser terrível morar num país, como a Alemanha, Holanda, Suécia e Austrália em que o governo respeita as leis de mercado e acabou com pobreza pela via do mérito estimulando o empreendedorismo.  
Só tem um probleminha na proposta PSTU de governo: ela é igual a erva daninha, a sua ação predatória não prejudica só as plantações do agronegócio, mas também a agricultura familiar, pois ambas se situa na mesma atmosfera ambiental, tirando isto, o que (se) sobrar tá ótimo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Integração Espiritual Com Fusão Religiosa

Fusão ou confusão religiosa?
Devido aos frequentes confrontos entre os seus seguidores, que algumas vezes acabam em violência, os principais Guias espirituais das religiões que contam com a mesma gênese, judaísmo, islamismo e catolicismo, se reuniram para discutir a questão e buscar uma solução para se eliminar ou reduzir o nível de animosidade. O encontro teve a coordenação de um coach com experiência em mediação de conflitos e reestruturação empresarial. Por ser agnóstico, por isso imparcial aos olhos dos Guias, fui convidado para participar do encontro como secretário geral.

Após dois dias de debates sem que se chegasse a uma solução, cada líder colocava a culpa pelos conflitos nos seguidores das outras religiões, o coach pede a palavra:

- O Islamismo e judaísmo contam com o mesmo patriarca – Abraão-, Jesus era judeu, assim verifica-se que essas religiões têm mais similaridades do que diferenças são caules do mesmo tronco. A proposta para se acabar com as brigas seria promover a fusão das três religiões e se criar uma única. Assim quem fosse católico, seria igualmente muçulmano e judeu. O mesmo aconteceria para aqueles que professam às outras duas religiões.

O ar de espanto tomou conta da sala, mas o coach fingiu não ver e continuou.

-Para evitar brigas não haveria divindade predominante, todas ficariam no mesmo plano espiritual, e o fiel escolheria aquela que mais se identifica, ganhando de bonificação o apoio das divindades das outras duas religiões. O modelo proposto além de ser forte espiritualmente, certamente irá abalar a concorrência.

Não dando chances para os Guias contestarem, seguiu adiante.

-Para evitar ciumeira em relação o nome da nova religião, de modo ninguém achar que a palavra remete, mesmo que inconscientemente, a fé das pessoas para uma das três religiões, deve-se escolher uma palavra neutra. Como os seguidores do judaísmo, catolicismo e islã estão espalhados por todos continentes, o nome da nova religião teria um apelo mais global se utilizar uma palavra da língua inglesa. Assim proponho que ela seja batizada com o nome de..., no segundo seguinte após ter dito a palavra batizada, se tocou que ela remete ao catolicismo e os guias islamita e judeu olhavam feio para ele, balançou a cabeça desconsolado, respirou fundo e resolveu recomeçar.  Proponho que ela se chame The Religion e garanto que em um ano será mais popular que a palavra selfie, que é bastante nova, mas que todos conhecem e praticam, o mesmo deverá acontecer com o nome The Religion. Para isto iremos elaborar um plano de marketing segmentado, com base perfil religioso e hábitos culturais da população dos diversos mercados, o que, naturalmente, evidencia a necessidade de se elaborar uma bíblia customizada. 

Um incômodo silêncio tomou conta da sala, os olhares de espanto e ceticismo partiram simultaneamente dos três líderes espirituais, que pela primeira vez em dois dias concordavam com algo: o coach era maluco, deveria ser sumariamente demitido e internado.

Sentindo que estava na iminência de ser expulso, o coach continuou:

- De acordo com previsões com base em série histórica, em 50 anos a igreja católica irá sumir do mapa, seu espaço será ocupado pela evangélica. Caindo o número de adeptos, o faturamento diminui e o Vaticano terá que vender seus bens para manter as igrejas e, no final, se a debandada não for estancada, o que é pouco provável, terá que vender o próprio Vaticano, que poderá ser comprado pela Evangélica.

-Os muçulmanos gozam de uma posição confortável na Ásia e África, mas a religião não tem boa aceitação no mercado europeu e americano. Para o Islã a fusão representaria um reposicionamento da marca, melhorando a sua imagem num mercado com alto poder aquisitivo. Para os judeus a fusão seria vantajosa porque acabaria ou pelo menos iria reduzir sensivelmente o antissemitismo dos católicos, pois se isto vier acontecer, estariam praticando auto antissemitismo. Se fusão proposta tivesse acontecido há 500 anos, a Inquisição não teria ocorrido, pois todos os católicos, a começar pelo Papa, morreriam na fogueira.

Os três se entreolharam com espanto, mas o ar de incredulidade diminuiu um pouco. O líder católico perguntou como poderia ser feita a fusão se os ritos, tradições, livros sagrados, guias espirituais, tudo é diferente.

O coach informou que tinha elaborado previamente um business and spiritual plan minimalista, contendo metas, cronograma, modelo operacional, previsão de aumento da receita e redução das despesas e critérios para participação dos lucros, visando não só viabilizar a fusão, como também aumentar o número de adeptos da nova religião.  
-Inicialmente seria feito uma condensação e fusão das escrituras sagradas das três religiões. A nova bíblia iria contemplar as melhores passagens do alcorão, do velho e novo testamento, mas só conteria os trechos que apresentam mensagens explícitas e entendíveis, nada daquelas herméticas que dá margem ao líder religioso interpretar de acordo com as suas conveniências ou nível de loucura, causa principal das violências que são cometidas em nome da religião.

- Todo blá blá e fatos repetitivos seriam cortados, continuou, seria reduzido o número de profetas e apóstolos, passariam de doze para três. O evangelho seria apenas o de São Mateus, que, parece, é o mais apreciado. O número de santos seria reduzido para doze, escolhidos através de votação pela internet, hoje são centenas e grande parte dos fieis não sabe qual é o foco milagreiro de cada um. Eles seriam padroeiros das pessoas com base no mês do seu nascimento, igual aos signos. Assim teríamos um santo para quem nasceu em janeiro, outro para as de fevereiro, e assim por diante, eles seriam multifuncionais, a pessoa poderia pedir tudo para o seu santo, como casar, dinheiro, saúde, etc...

-Em relação ao Alcorão verifica-se que ele tem 114 capítulos e 6.600 versículos. Se fosse novela era até pequena, mas para conquistar novos mercados é muito grande, não ajuda muito, assim acredito que se deva cortar uns 50 capítulos e 70% dos versículos, só ficando aqueles que contam com mais apelo emocional. Finalmente, os cinco livros da Torah seria condensado em apenas um.

- Após a edição dos diversos trechos do novo livro sagrado, continuou acelerado, ele seria reescrito numa linguagem mais moderna de forma que todos entendam o que está lendo, semelhante aos textos dos livros de autoajuda o que, devo confessar, é um risco, pois alguns acham que o sucesso e a força das religiões reside no fato de ninguém entender o que está lendo, ficando com temor de contrariar o que não compreende, mas “que é muito forte”, segundo os guias espirituais. 

- Os fiéis da The Religion não precisaram necessariamente se deslocar para os Templos para praticar o culto religioso, poderá fazê-lo em casa, na praia ou no ônibus através do seu smartphone. Criamos um aplicativo gratuito chamado Religion in House, que o fiel poderá baixar nas lojas da The Religion. Através de algoritmo e do sistema matricial desenvolvido, o APP permitirá que se customize o perfil da cerimônia religiosa, selecionado aquela que mais vá ao encontro das suas necessidades terrenas, não perdendo tempo com rituais ou textos que considera desimportante, além do programa permitir que a cerimônia tenha, a critério do usuário, maior pegada muçulmana, católica ou judaica. O fiel também terá a disposição um APP premium pago, que possibilitará que solicite até três milagres e faça bar mitzvah e casamento religioso on line e, com isso, economizará o dinheiro gasto nestas cerimônias. 

- Devido à criação dos Templos virtuais, alguns físicos ficarão ociosos e serão desativados, por isso será necessário se reduzir o quadro de pessoal qualificado, estando previsto a realização de um PDV- Plano de Demissão Voluntáia o que significa que aproximadamente 30% dos guias espirituais serão dispensados, bem como 50% do pessoal da área administrativa e financeira devido à unificação da gestão operacional das três religiões. 

- Na nova religião não haveria padres, rabinos e mufti, e sim CEOs Espirituais constituídos pelos antigos Guias das três religiões, que deverão fazer curso de reciclagem empresarial para se adequarem ao novo cenário espiritual e formato do produto.

Não sei como acabou a estória, pedi para me retirar, estava exausto após secretariar dois dias de intensos e acalorados debates, somado ao impacto, ou abalo não sei ao certo, emocional após ouvir a exótica proposta do coach. Pode ser que a ideia vingue e surja uma nova religião unindo as antigas com o surreal nome de The Religion, tudo é possível, afinal quem diria que o avião do Eduardo iria cair e a Marina entrar no páreo e decolar.



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CONGRESSO INTERNACIONAL DE MASOQUISTAS E AFINS

Masoquistas do mundo inteiro
ansiosos para vir ao Rio
Depois muita expectativa e nervosismo, o Brasil ganhou a disputa travada com a Venezuela, Cuba, Curdistão, Argentina e Nigéria e ganhou a disputa para sediar o 1º Congresso Internacional de Masoquistas e Afins que será realizado no Rio de Janeiro durante o período do carnaval de 2015, época que todos os hotéis estarão ocupados e os Congressistas ficarão hospedados nos estabelecimentos da baixada fluminense, o que é o sonho de todo masoquista. 

 O favoritismo do Brasil foi aumentando no decorrer da apresentação do seu representante, que começou a exposição informando que o povo brasileiro era um dos mais felizes do mundo, o que causou sorrisos irônicos por parte dos demais competidores, pois isto iria desqualificar o país para sediar um encontro de masoquista.

Mas os sorrisos e ironias começaram a desaparecer quando apresentou um vídeo mostrando o povão nas enormes filas na porta dos hospitais públicos e as impressionantes imagens retratando o abandono e as condições precárias dos estabelecimentos de saúde, o que causou violento impacto, alguns não resistiram e começaram a chorar. O vídeo continha cenas mostrando as pessoas espremidas nos trens e ônibus lotados, além de imagens do estado das rodovias e a poluição dos rios e praias, fazendo, ainda, menção aos índices de homicídios, mortalidade infantil e corrupção, áreas em que Brasil é referencia - negativa- no mundo, o que causou boa impressão no jurado.

Depois disso todos os presentes, incrédulos, se perguntavam como o brasileiro consegue viver feliz nestas condições, e a questão só pode ter uma resposta, ele é um  hipermasoquista convicto, o que faz com que o país seja a meca, se for católico, vaticano, do masoquismo mundial. 

No decorrer da apresentação os representantes dos outros países iam, paulatinamente, ficando desolados mas ainda nutriam uma certa esperança. A ducha de água fria se deu quando o apresentador brasileiro sacou a bala de prata que enterrou em definitivo as pretensões dos demais países. Foi quando informou que a maioria dos candidatos à deputado e governador que contam com processo na justiça acusado de improbidade administrativa, corrupção, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito seriam reeleitos, incluindo um que é procurado no exterior pela Interpol. Ao ouvir isto todos se levantaram e foram embora sem esperar o anúncio do resultado que, a priori, já sabiam qual seria.

O Congresso será realizado no Riocentro, o que dará a oportunidade dos participantes, hospedados na baixada,transitarem na hora do engarrafamento na via Dutra e nas linhas Vermelha e Amarela e os organizadores esperam que as centenas de masoquistas que virão a cidade maravilhosa sejam assaltados num arrastão, o que contribuiria para abrilhantar ainda mais o evento. Está prevista a realização de Oficinas como a pessoa atuar e se implodir como homem (ou mulher) bomba, considerada "experiência maravilhosa e única" pelos organizadores e que já conta com 538 inscritos ou  tentar se consultar num hospital público, que funciona da seguinte maneira: a pessoa entra numa fila às 3.00h da matina e quando chegar a sua vez às 8.00h, receberá a informação que todas as senhas já foram distribuídas e não será atendido. 

A programação social e de lazer prevê banho de mar na Baia de Guanabara, incluindo o piscinão de Ramos, que fica ao lado do mar e foi construído porque o mar é super poluído, passeio de bicicleta a noite no Aterro do Flamengo, andar de madrugada no calçadão com a máquina fotográfica pendurada no pescoço, passeio à Japeri num trem da Supervia no horário das 18.00h, almoço num restaurante padrão médio do Leblon com preço de estabelecimento de luxo de Tóquio e ir para Iguaba Grande na sexta feira à noite pela ponte Rio Niterói para passar o fim de semana tomando banho na Lagoa de Araruama com direito de participar de um Festival de música hip hop sertaneja universitária. 

O grande temor dos organizadores é que até fevereiro de 2015, mês que será realizado o Congresso, o Aeroporto Tom Jobim possa melhorar seus serviços porque foi privatizado e, com isso, irá frustrar centenas de masoquistas do mundo inteiro que conhecem a fama do aeroporto, que foi eleito pela revista inglesa Masoch como um dos dez melhores destinos masoquistas do mundo, e querem vivenciar a inesquecível experiência de se desesperar com os serviços prestados por ele. Os organizadores vão procurar a administração do aeroporto e irão apelar para que comessem as obras após fevereiro de 2015, deixando o aeroporto no estágio caótico em que se encontra, afinal está em jogo à má fama e imagem do Brasil junto à comunidade masoquista internacional, que é grande, e conta com alto poder aquisitivo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

É Duro Viver na Escandinávia

Um escandinavo desesperado com a
elevada qualidade de vida do país
Ler o jornal ou ver o noticiário das TVs e rádios pela manhã e pegar a condução para chegar ao trabalho ou outro local qualquer, é garantia que o cidadão brasileiro terá assuntos palpitantes para conversar o dia inteiro. Na verdade devido ao excesso de informações, será obrigado a priorizar e fazer uma pauta por ordem alfabética do que irá conversar com os amigos e com as pessoas que esbarra nas enormes filas do banco, mercado, INSS, de pedido de emprego ou no aperto dos trens, ônibus e similares.

As notícias ou abobrinhas que ouve todos os dias sobre os políticos e tudo que é público- escolas, saúde, transporte, obras, serviços, rodovias, segurança, parte destas palavras vem seguida do substantivo corrupção ou do sujeito corrupto, ou de ordem privada, como inclinação sexual, aborto, tráfico, assassinatos e fofocas “relevantes”, tem um lado positivo, elas se constituem nas principais responsáveis pelo grande poder de comunicação do brasileiro, o que faz com que seja considerado um dos povos mais felizes do mundo.

Ele começa o dia desopilando o fígado com a descoberta que o galã da novela das nove, que come todas no folhetim, é gay ou sentando o cacete no ‘político do dia” que está nas páginas dos jornais devido à corrupção, dividindo a sua indignação com o passageiro que está ao seu lado, e nunca viu, na barca Rio- Niterói. Quando a embarcação está chegando no Rio a indignação dos dois é verbalizada em forma de gozação, ambos relatando fatos escabrosos ocorridos recentemente, quando saltam na Praça XV já são velhos amigos e marcam para tomar um chope “um dia desses”. Pode parecer surreal, mas a desgraça vivenciada pelo povo é, na falta de coisa melhor,  o principal motivo da sua felicidade , porque falar mal e ironizar depois faz bem para a alma.  

Isto tudo me vem à mente quando penso que deve ser muito difícil e monótono viver num pais desenvolvido e sem problemas como, por exemplo, os escandinavos, tudo lá funciona bem, incluindo creches, escolas e hospitais públicos, o IDH é alto, a mortalidade infantil e homicídios são baixos, os idosos e pessoas com necessidades especiais contam com total amparo do estado, o transporte público chega no horário, às pessoas viajam sem apertos, os veículos contam com refrigeração enfim tudo funciona bem.

E por que tudo isto é chato? Por que imagino que a população, ao contrário do Brasil, não tem o que conversar, a falta de assunto interessante é geral e, consequentemente, a comunicação entre ela deve ser mínima. O escandinavo liga a televisão e o locutor informa que fechou mais um presídio ocioso por falta de presos, que a qualidade do ar e das lagoas está excelente, que aumentou a expectativa de vida e que determinado deputado que estava indo para o Congresso de ônibus, passou mal dentro do veículo e que a ambulância chegou em cinco minutos e levou-o para o hospital público de Dranskig, bairro situado na periferia de Oslo.  

Acredito que o escandinavo pegue o ônibus ou vá para a fila de supermercado, torcendo para alguém espirrar para falar saúde e o outro responde obrigado, possivelmente este será o diálogo mais interessante que conseguirá travar no dia, além do bom dia que dá diariamente para o porteiro. É mentira que o escandinavo torça para que um amigo ou parente morra, mas é verdade que o velório é das poucas oportunidades que contam para se reunir e, principalmente, ter assunto para falar, no caso as qualidades do falecido.

Na falta de um bom assunto que permita que estabeleça um papo, o escandinavo é obrigado a se apropriar da pauta dos assuntos mais interessantes que acontecem nos outros países. Os africanos, por exemplo, entram com a ebola e a violência dos regimes ditatoriais e o Brasil com a qualidade dos seus políticos e dos serviços públicos, uma coisa está associada á outra.

Pode parecer absurdo, mas desconfio que os escandinavos morrem de inveja da alegria da nossa população.