quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O HEADHUNTER DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

Um dos pre requisito para ocupar o cargo
é saber gerenciar a mala
A Operação Lava Jato desnudou como funciona o processo de nomeação dos dirigentes das estatais no governo PT. A seleção inicial para as centenas de cargos disponíveis era feita pelo “headhunter” Sílvio Pereira, o Silvinho, Secretário Geral do PT, (aquele que recebeu de presente um Land Rover de uma empreiteira, uma espécie de pixuland), responsável pela área de RH-Recursos Humanos voltada para aumentar os recursos financeiros do PT.Um delator informou que era ele que fazia as entrevistas de avaliação para os cargos de direção das estatais, como aconteceu com Paulo Duque.

Após ser entrevistado, Duque recebeu parecer favorável de Silvinho,  que encaminhou a indicação a direção do PT. Após análise das suas qualificações e, principalmente, da sua disposição de contribuir (duplo sentido) com o projeto político do Partido,  o Comitê Central homologou o seu nome. Segundo informações a entrevista que Silvinho fez com Duque ocorreu mais ou menos assim:

- Nome

- Paulo Duque.

- Foi indicado para qual cargo, deixa eu ver no computador. Superintendente do SUS da Paraíba, este é para o PROS, Diretor do INSS do Paraná, não, Diretor do Hospital de Bonsucesso no Rio, este é do PC do B, diretor de administração do Fundo de Pensão dos Correios, também não, é da cota do PMDB.

- Eu sou engenheiro, não entendo nada disso, vim aqui para...

- Cara, você é muito detalhista, tem que aprender com os sindicalistas do PT, eles são polivalentes, por isso se consideram aptos para ocupar qualquer cargo nas estatais. Eles veem isto como missão e nunca fogem delas. Se o companheiro é bancário, mas for destacado para ocupar a diretoria técnica da Agência Nacional de Petróleo ou ser Superintendente da Usina Nuclear, ele encara sem reclamar.  Ah, achei aqui o seu nome, você foi indicado pelo companheiro Dirceu para a Petrobras, belo padrinho, mas só isto não resolve, fale um pouco de você.

 -Sou engenheiro concursado da Petrobras com grande experiência na área de petróleo, dutos, exploração e prospecção. Supervisionei as obras do parque de tancagem do TEBIG, TEMADRE e...

- Para, porra, isto não interessa, quero saber se, caso venha ocupar a Diretoria, está disposto a colaborar com o Partido.

- Com certeza, se necessário, irei me filiar a ele, nas horas vagas farei campanha para os seus candidatos e integrarei o comitê técnico para elaborar a proposta de governo na área de petróleo e gás.

Silvinho fitou Duque e depois de uns segundos disparou:

- Duque preste atenção no que vou falar. Não estamos procurando ninguém para fazer campanha eleitoral, nem ajudar na elaboração do programa do partido, para isto temos milhares de voluntários que acreditam na pureza e ideal do PT. Nossos militantes são compostos por operários, universitários professores, pesquisadores, funcionários públicos entidades de esquerda, todos sabem que somos contra a corrupção e as oligarquias de direita, e eles tem razão, nada que vem da direita é bom. Mas se eu precisar elaborar um programa para a área de nanotecnologia, deve ter dezenas de especialistas filiados ou simpatizantes do PT para fazer isto, você seria apenas mais um, entende?

Parou de falar, respirou fundo parecia que estava escolhendo as palavras e continuou: 
- Não é este o perfil de candidato que procuramos, na verdade ele nem precisa entender da atividade técnica para a qual foi designado, para isso existem assessores, embora você conheça a área. Estamos atrás de profissionais que ocupando um cargo técnico por onde passam bilhões de dólares, seja safo o suficiente para ajudar o Partido na área financeira para, com isso, contribuir para o companheiro Lula consolidar a revolução de esquerda voltada para a classe trabalhadora, mas usando os métodos da direita, que comprovadamente, são mais eficientes.

- Você está me dizendo que irão usar as práticas utilizadas pela direita reacionária para fazer a revolução em prol dos trabalhadores?

- Não temos muitas alternativas, somos obrigados a usar os métodos nefastos da direita conservadora e entreguista para se atingir os fins, que são nobres, o que  irá ajudar à médio prazo a romper os grilhões que impede a classe obreira se libertar do jugo do imperialismo americano.

- Ok, e o que devo fazer para contribuir para este projeto político?

- Ajudar a roubar o dinheiro das empreiteiras capitalistas e oligárquicas. 

- Como assim, reagiu surpreso.

- Simples, elas ganham muito dinheiro fazendo obras. De onde vem o dinheiro destes projetos? Do imposto pago pelo trabalhador. Assim, subtrair um percentual do que ganham irá fazer com que parte do dinheiro retorne e seja aplicado em benefício dos trabalhadores. Isto é que diferencia nós deles, os partidos e políticos de direita, como o Maluf que desviou recursos de obras e o dinheiro da propina ganha foi utilizado em proveito próprio e hoje está depositado no exterior.

- Mas o dinheiro irá para o trabalhador ou para o Partido?

- Porra Duque, você deve ser meio obtuso. O nome do nosso Partido não é dos Trabalhadores?  Isto significa que se a grana vier para gente, está indo para os trabalhadores, entendeu, falou com certo desencanto e pena do entrevistado. É obvio que se fizer o serviço direito irá receber uma pequena parte, pois, como te falei, o dinheiro será destinado a ajudar os trabalhadores, e você é o quê? Banqueiro? Empresário? Latifundiário? Não, você é trabalhador, por isso irá receber a sua parte.

- Agora entendi, como é por uma causa nobre, pode contar comigo, se for admitido farei tudo para ajudar o Partido.

Isto aconteceu há 12 anos, todos sabem como a estória se desenrolou  e como irá continuar, mas aqui ela acaba aqui. Morô?

domingo, 20 de setembro de 2015

O Tamanho do Prazer

A preferência identifica a tribo da mulher,
sugere a pesquisa 
Um estudo realizado por universidades da Califórnia, Los Angeles e Novo México, concluiu que o tamanho do pênis é mais relevante para as mulheres quando o sexo é casual. Em relações estáveis o tamanho e espessura do “menino” não são tão importantes para a parceira. A pesquisa revelou que no sexo casual as mulheres preferem pênis com uma média de 16,3 cm de comprimento e 12,7 cm de circunferência. Nos relacionamentos estáveis elas não são tão exigentes, 16 cm de comprimento e 12,2 cm de circunferência tá de bom tamanho.
A pesquisa mostrou que a distância que separa as mulheres que vão para o tudo ou nada com as que estão com o controle remoto do Netflix na mão é de 0,3 cm. Ai você pensa, 0,3% é quase nada, uma bobagem, menos de 2%. Só que para muitas mulheres é quase igual a comer um bolo sem a cereja. Dá para encarar, mas fica a sensação de que falta alguma coisa, o prazer não é total.   
Mas para mim está é uma discussão colateral, na verdade o relevante é o tipo da metodologia utilizada para se chegar aos resultados. Será que selecionaram um grupo de mulheres “matadoras”, explicaram para elas o objetivo da pesquisa e pediram que quando fossem para a noite levasse na bolsa um kit composto de batom, camisinha e fita métrica, e quando o rala rola estivesse no clímax dariam um pause para medir o tamanho e circunferência do dito cujo. Se depois disso o varão não brochasse, dariam sequencia a segunda etapa do estudo, que é avaliar e fazer a correlação entre a intensidade do prazer e o tamanho e a circunferência do bilau cobaia.
Outra questão que me intriga é se elas participaram do projeto de graça, por amor a ciência, ou foram remuneradas. Neste caso o regime de trabalho foi por empreitada global, só recebiam depois de entregar cinco pesquisas, por exemplo, ou ganharam por questionário entregue, sem limite do número de avaliações, quanto maior a produção maior o ganho.  

Será que os cientistas recomendaram para este grupo de pesquisadoras para não fazer cara de decepção e infelicidade se após o "guerreiro" se levantar para o combate constatar que ele não corresponde a expectativa transmitida pela embalagem. Esta recomendação, que muitas não seguiram, tinha em mente minimizar o risco do garanhão  sofrer a síndrome de Transtorno Dismórfico Corporal que acomete homens que acham que o seu companheiro de batalha sofre de nanismo, cujos sintomas são angústia e depressão, aliados a  um profundo complexo de inferioridade. 
O pior para quem sofre de reducionismo é que isto não lhe dá o direito de sentar nos assentos preferenciais do metrô, pois a situação não está enquadrada nos itens previstos para pessoas com necessidades especiais e, mesmo que estivesse, seria difícil comprovar, a não ser que existisse uma carteira específica para quem sofrer deste pequeno problema, só que, presumivelmente, iria gerar situações desagradáveis, as pessoas olhariam para os dismórficos com risos irônicos, sem contar as piadinhas de mau gosto.
No caso das casadas a metodologia da pesquisa deve ter sido mais fácil, pois não precisaram sair de casa. Para levar adiante o estudo bastava dar um pause no seriado Game of Thrones e pedir para o companheiro ir para o quarto assistir um filme pornô no tablet com uma fita métrica na mão enquanto preparava um lanche na cozinha, quando acabasse voltaria para a sala para assistirem juntos, comendo um lanchinho, mais um capítulo. Os coordenadores da pesquisa se basearam no fato de que para a maioria dos casais com bastante tempo de casa, sexo oral era assistir palestras sobre temas ligados a sexualidade. 

Por último, desconfio que numa época de politicamente correto, as universidades americanas que fizeram o estudo poderão ser acusadas pelos movimentos LGBT de adotarem atitude preconceituosa e machista contra os gays que, inexplicavelmente, não foram incluídos no estudo realizado, como se o assunto só fosse do interesse das mulheres. Absurdo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Eu, Robô

Flagrante da bancada ruralista de deputados robôs
ouvindo o pronunciamento do líder da oposição
Estamos no ano de 2025 na inauguração da uma fábrica japonesa na cidade de Limoeiro, no interior do Ceará. O prefeito está exultante com o efeito eleitoral da implantação da indústria no município, ela irá gerar 380 empregos diretos e 750 indiretos. Para atrair a empresa o prefeito concedeu terrenos e incentivo fiscal para ela, mas valeu a pena, pensou. Ou não, pois o que o japa não falou para o alcaide é que 90% dos postos de trabalho serão ocupados por robôs fabricados no Japão.

Ficção? Não, realidade e só ver o já acontece hoje. A consultoria Boston Consulting Group prevê que em 2025 até um quarto dos empregos será substituído por softwares ou robôs. Um exemplo é a fábrica que está sendo construída na China na cidade de Dongguan que será operada apenas por robôs, a planta, construída pela Sehnzhen Evenwin Precision Technology, irá reduzir em 90% a força de trabalho composta por 1,8 mil empregos. Desde setembro do ano passado, um total de 505 fábricas em Dongguan investiu o equivalente a R$ 2,6 bilhões na aquisição de robôs, o objetivo é substituir mais de 30 mil operários, segundo o Escritório de Tecnologia de Informação e Economia da cidade.
Os motoristas de táxi vão sentir saudades do Uber quando módulos de táxis automatizados começar a operar nas ruas da cidade de Milton Keynes, na Inglaterra. O governo britânico está atualizando as placas de trânsito para viabilizar o funcionamento dos carros sem motorista.
Num futuro próximo as reportagens não serão mais escritas por jornalistas, eles irão utilizar softwares capazes de coletar dados e transformá-los em textos minimamente compreensíveis. Na área da saúde temos o Watson, um supercomputador da IBM, que está atuando em conjunto com dezenas de hospitais nos Estados Unidos para oferecer recomendações sobre os melhores tratamentos para diversos tipos de câncer.
Barman de carne e osso será lembrança do passado. No futuro teremos bares automatizados a partir da Shakr Makr, uma máquina desenvolvida pelo MIT há alguns anos. As bebidas podem ser pedidas por meio de um tablet e usuários não estão limitados ao menu que recebem à mesa – eles podem, inclusive, criar seu próprio coquetel. O braço robótico mistura o coquetel e o coloca em um copo de plástico (para evitar acidentes). Segundo previsões 30% dos bailarinos serão robôs, que terão facilidades de fazer movimento complexos.

Entretanto prevê-se que a implantação de robôs no Brasil só terá sucesso se incorporar algumas características da localidade onde irá atuar. Na Bahia, por exemplo, eles devem ser preguiçosos e bocejar de 10 em 10 minutos, ao contrário do paulista que será workaholic, em caso de stress ele é mandado à Bahia para trabalhar durante um mês ao lado de um robô local. Os destinados às universidades públicas deverão entrar em greve todo ano e ficar sem dar aula por pelo menos quatro meses, se isto não acontecer os alunos irão estranhar e o rendimento cai. 

Nesta linha pode-se imaginar  robôs atuando como jogadores de vôlei, basquete e futebol, com o detalhe que os jogadores  do Botafogo e Vasco seriam feitos com material de segunda, muito mais barato e que atende perfeitamente as exigências da segundona. 

Não se descarta a possibilidade deles trabalharem como deputados. Isto mesmo, no futuro os robôs, até pelo seu próprio nome (robô, entendeu?), irá ocupar o lugar dos deputados, e sua atuação será igual a deles, que é prometer e não cumprir, dependendo da conveniência pessoal irá atacar ferozmente ou apoiar incondicionalmente o governador, que também será um robô, irá elaborar projetos de leis irrelevantes e conceder medalhas para pessoas insignificantes, mas importantes para a sua reeleição, ou seja, ninguém irá perceber que eles são robôs, tal a sua semelhança com o deputado humano.

Uma Assembleia Legislativa robotizada irá propiciar uma economia de R$900 milhões por ano aos cofres públicos e, importante, não será nada diferente da antiga em termo de relevância e utilidade pública, além de não precisar de frota de carro para levar os deputados para o trabalho, quando acabar a sessão eles se dirigem ao almoxarifado e ficam lá aguardando a plenária do dia seguinte. A esta economia deve se acrescentar a eliminação dos gastos com café e açúcar.

Pode-se imaginar que no futuro teremos Big Brother de robôs, a única dificuldade seria eliminar algum através de prova de resistência, todos podem ficar em pé um ano ou plantar bananeira durante três anos ininterruptamente. Os tecnólogos deverão pensar numa variedade gay de robôs para participar do reality e também trabalhar em novelas. As "roboas" do BBB seriam feitas de silicone para ficarem fieis as suas congeneres humanoides turbinadas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Alice no País da Magistratura, Que Maravilha

Alice inveja Branca de Neve que
 é amiguinha dos anões do orçamento
Num cenário político composto por corrupção, pedaladas fiscais e aparelhamento sindical e ideológico do estado, um fato que passa despercebido, mas que também contribui para a insolvência financeira do país, é a postura da elite chapa branca frente à crise econômica e política vivida pelo Brasil.

As suas ações, reivindicações e contradições beiram a raia do absurdo, aparentemente vive num país que não está em crise e pode bancar altos salários e mordomias. Certamente sabe que não mora numa nação rica e sem maiores problemas, como a Suécia, pois se estivesse lá não contaria com grande parte das vantagens que desfruta aqui. Assim, diante da sinecura existente, tem certeza que vive no Brasil, país povoado por uma elite chapa branca cuja ação se pauta no binômio “Isonomia e Mordomia”.

Um exemplo desta falta de bom senso é o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A economia do país e do estado está derretendo e, no entanto, você acha que ele está preocupado com este “detalhe”? Certamente não, pois recentemente anunciou que vai trocar 311 veículos, a maioria modelo Passat, por 246 Jettas zero Km para atender juízes e desembargadores, o que irá custar R$ 23,8 milhões.  De acordo com o TJ, a renovação dos carros trará uma economia de R$ 9,4 milhões aos cofres públicos, porque o Passat custa, em média, R$ 135 mil e o valor do Jetta é de aproximadamente R$ 96 mil.

O Tribunal foi modesto, a “economia” seria bem maior se a comparação fosse feita com um Mercedes Classe C, assim poderia dizer “pensamos em comprá-lo, mas como estamos num momento de austeridade, partimos para um carro mais simples, o que nos permitiu economizar R$30 milhões”.

O presidente do TJ informa que os carros não serão utilizados para passeio ou viagem, o que deixou todos aliviado, inicialmente pensou-se que era para ir à praia. Ele acrescenta dizendo que a renovação da frota baseia-se na Instrução Normativa 162/1998 da Secretaria da Receita Federal que estima em cinco anos a vida útil dos carros de passageiros, isto foi à bala de prata que me convenceu da pertinência da medida.  

Como, pelo visto, sua excelência é um fiel cumpridor da lei e faz tudo para atender as normas e regulamentações, convém lembrar a ele que o Art. 227 da Constituição Federal diz que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Mas, como isto naturalmente já ocorre, afinal se não se pode contrariar uma Instrução Normativa, o que dirá a Constituição, nada mais natural do que o TJ se preocupar com a renovação da sua frota de veículos, até porque o dinheiro está sobrando nos cofres do governo do estado, sem contar que o contribuinte fica feliz em saber que os magistrados contam com transporte de boa categoria e não são obrigados a realizar o mesmo que ele, que é ir para o trabalho por sua conta e risco, qualificação que engloba todos que utilizam trens e ônibus lotados e mal conservados. O contribuinte ficaria indignado se souber que os magistrados estão indo para o Tribunal de metrô ou nos seus carros particulares, pois isto tiraria a sua credibilidade para julgar com isenção, eles tem que manter uma postura superior de forma remeter a sua imagem ao patamar da semidivindade.

Mas suas excelências merecem bem mais do que carros zero Km, não é justo que passem por constrangimento financeiro, e como magistrado sabe mais do que ninguém o que é justo, ele criou o Bolsa Legal cuja cesta básica é composta dos seguintes itens: auxilio moradia de R$4.700,00, auxílio-creche de R$ 854,00 por filho até 6 anos, auxílio-educação de R$ 953,00 por filho até 24 anos (na faculdade), auxílio alimentação, academia de ginástica, 180 dias de licença-maternidade (padrão) mais 90 de aleitamento, recebimento de três a cinco salários mínimos por adoção até o filho ter 24 anos, e dois meses de férias anuais, mais um recesso de 14 a 30  dias porque ninguém é de ferro, eles merecem descansar. Devido à austeridade, a Bolsa  não  conta com farinha de mandioca e lata de sardinha.

Utilizou-se o TJ do Rio como exemplo do apagão moral que acomete as elites oficiais quando o assunto é promover vantagens e benefícios próprios, mas esta postura não é muito diferente do que acontece nos tribunais superiores, no Senado, que por sinal acabou de trocar a sua frota de veículos, Ministério Público, Câmaras dos Deputados e Vereadores e Assembleias Legislativas. A cultura corporativista, na definição mais cruel do que isto pode representar, é a mesma em todos eles, parece que não fazem parte de um país que está afundando devido a problemas econômicos e financeiros. Para eles pouco importa, com crise ou sem, o deles está garantido, não temem acordar desempregados, ter a jornada de trabalho e salário reduzidos ou ficar em regime de layoff, tudo que recebem tem amparo legal, nada é fora da lei ou do figurino.

Fica a indagação: será que os magistrados se sentirão moralmente em condição de julgar uma ação sobre correção das aposentadorias que vá contra os interesses dos aposentados, mesmo que existam fundamentos técnicos para tal? Nesta mesma linha, qual a condição moral que conta os senadores e deputados para legislar pela ampliação do tempo de aposentadoria, que atuarialmente até pode se se justificar, se eles próprios se aposentam com reduzido tempo de mandato parlamentar?   

A resposta é que por razões obvias todos os juízes deveriam se considerar impedidos  para proferir sentença nesta área e, quem sabe, remeter a matéria para um tribunal sueco, mas no Brasil condição moral é mercadoria de segunda, não tem muita saída, está encalhada. 

E assim, la nave vá calmamente em direção ao fundo do mar, sendo esta, atualmente, a maneira que o Brasil encontrou para sair do poço.   


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Traidor de Madureira

Delação ou Traição Premiada?
- Seu filho da puta, não tem vergonha de me trair? Doze anos casados e você está trepando com aquela piranhazinha do 502 que vive com o zagueiro de futebol do América. Para ele, levar bola nas costas deve ser normal, mas para mim não, falou enraivecida.

- Não sei do que você está falando.

- Não sabe é? Então vou refrescar a tua memória. No começo desta semana, mais precisamente na segunda feira, a minha amiga do 804 viu você entrando com a vizinha no Motel Êxtase Tropical na Avenida Edgard Romero, em Madureira. Aí resolvi investigar, fui ao motel e mediante pagamento de pequeno pixuleco dado a um empregado, não vou entregar quem é, mostrei a tua foto e descobri que vocês vão lá há pelo menos quatro meses.

- Pera aí. Calma, eu posso explicar. Eu estou dando consultoria na área tributária para o motel, eles estão enrolados com a Receita Federal, e foram autuados pelas Secretarias de Fazenda estadual e municipal. Por acaso descobri que a vizinha estuda contabilidade, e como o serviço lá é grande, o rolo deles é enorme, perguntei se ela podia me ajudar como estagiária fazendo o trabalho chato, que é auditar os livros dos últimos cinco anos, duas vezes por semana temos que verificar in loco a contabilidade. Eu só esqueci de te falar que tinha contratado ela, se tivesse feito isto estaria tudo tranquilo. Entendeu agora? Explicado?

- Entendi. Entendi que você é um grande filho da puta mentiroso. O funcionário me falou que quando vai lá, rola pelo menos duas garrafas de vinho e os gemidos e berros da piranha tem uma sonoridade tão alta que é ouvida por todos, o que levou os moradores dos prédios vizinhos a fazer um abaixo assinado contra a permanência do motel no local, estão até pensando em entrar na justiça com base na lei de poluição sonora, por isso o motel pensa em proibir entrada de vocês.  Só falta dizer agora que o tamanho da sonegação que ela descobre é tão elevado, que, revoltada, começa a berrar pensando no impacto social que a queda da arrecadação tributária acarreta para à população carente.

- Ok, não há como esconder, você está certa, mas quero observar que existe um atenuante. Neste caso é obvio que a traição é dos dois, mas a dela é muito pior, é uma traição premeditada, sai de casa com vontade de trair e escolhe um alvo, e, desta vez, a vítima fui eu. Pode-se dizer que ela é patologicamente uma serial traitress, termo que significa traidora, sua traição é dolosa, quando há intenção de se cometer o ato, já a minha culposa, não tem este objetivo, acontece por acaso. Eu não saio de casa com esta intenção, por isso deveria atenuar, ou até mesmo relevar o que aconteceu.

- Ah, é? Conta outra seu viado.

- É normal que não acredite no que falei, eu mesmo não daria crédito a isto. Mas vou te dar uma prova definitiva: sempre que encontrava com a vizinha no elevador, saímos no mesmo horário, ela estava com roupas provocantes, decote acentuado, micro saia, perfume matador e eu ficava na minha, nem aí. Uma vez encostou seu lábios carnudos próximo do meu rosto e sussurrou no meu ouvido perguntando para onde ia, falei que estava indo para o meu escritório em Madureira, aí indagou se poderia dar carona, pois, coincidentemente, a Faculdade de Contabilidade que estuda fica lá. Não vi nada demais nisso, pois devemos praticar a política da boa vizinhança, afinal para se chegar lá tem que se pegar duas conduções, de ônibus se gasta  uma hora e meia para se fazer o trajeto. 

-Isto durou três meses, até que um dia, foi em janeiro, fazia um calor escaldante, o ar condicionado do carro tinha pifado, ela sugeriu procurarmos abrigo num lugar mais fresco. Inicialmente pensei que estava falando das sombras das árvores do Parque de Madureira, achei aquilo meio surreal, mas quando estava passando em frente ao motel pediu para parar o carro e sugeriu irmos nos refrescar no ar condicionado e na piscina do motel. De início repeli veementemente a proposta, falei que era um homem casado, que te amava, não admitia isto, que isto ia contra os meus valores éticos e religiosos, mas aí ela começou aplicar, golpes baixos abaixo da linha de cintura, o que me nocauteou. Fiquei grogue, perdi a noção do que estava acontecendo, só fui recobrar a razão quando acordei completamente nu na cama do motel duas horas depois do nocaute.

Não sei bem o que aconteceu neste intervalo, mas tinha noção que a vaca tinha ido pro brejo, por isso, diante do fato consumado, continuei a manter relação até esta semana. Para provar que isto é perfeitamente possível de acontecer, lembro o que ocorreu com o jogador Ronaldo Fenômeno, no caso dele quando recobrou os sentidos notou que estava nu e tinham dois travestis na cama, ele não fazia a mínima ideia como  eles foram parar lá e o que tinha acontecido.  

- Seu puto!

- Pode falar o que quiser não te culpo, mas tecnicamente não te trai, fui envolvido numa teia, sou vítima também e estou indignado com o que ela fez comigo, ou melhor, com a gente. Você tem razão, estava cego, agora vejo que ela é uma piranha.  Com te falei, a minha traição foi culposa, não houve intenção de trair, por isso, deve considerar o que aconteceu como uma triste fatalidade, assim como, como....a eleição do Eduardo Cunha para a presidência da Câmara. Não era para acontecer, mas ocorreu.

- Ainda assim tem culpa no cartório, eu posso aliviar um pouco a tua participação na traição, mas não irei te perdoar de forma irrestrita, isto não.

- Para obter o teu perdão definitivo, não quero te perder, proponho fazer delação premiada.

- Delação premiada?

- Sim, eu conto para você alguns pecadilhos que cometi desde que nos casamos, que você não sabe, em troca obtenho o teu perdão definitivo. Topa?

Cheia de curiosidades sobre os segredos que ele tinha guardado nestes anos, falou que sim.

- Começo pela nossa lua de mel, houve um caso involuntário e rápido com uma camareira boazuda que arrumava o nosso quarto. Estávamos na piscina, eu tinha esquecido o celular no apartamento, subi para pegá-lo e encontrei a moça da arrumação dando uma geral no quarto vestindo um uniforme justo que realçava suas formas, meio versão macho man feminina. Não sei como, nem por que, rolou um sexo maravilhoso, mas, juro, foi só aquela vez. Se arrependimento matasse, tenho certeza que teria morrido na lua de mel.

- Depois, na festa de cinco anos do nosso filho, aconteceu, meio por acaso, uma trepada com a mãe da Claudinha, amiguinha do nosso filho. Mas, juro, foi ela quem provocou, propôs irmos para o terraço para ver o por de sol na Lagoa, eu acreditei nisto, quando chegamos lá em cima me ameaçou e abusou de mim duas vezes, na verdade três se considerarmos a felação.

- Teve ainda a professora da academia, que contratei como personal trainer, um dia estávamos correndo no Parque do Flamengo e paramos para tomar uma água de coco no final do aterro, perto do Aeroporto. Quando menos esperava ela me agarrou e deu o bote e me empurrou para dentro de um que estava ali flutuando na água. Tentei sair, usei toda a minha energia, rezei pedindo a Ele para me ajudar, mas como ela é muito sarada e forte, me imobilizou com uma chave de coxa, eu fiquei indefeso, aí aproveitou para abusar de mim quatro vezes.

- Seis meses depois, em julho de 2010, para comemorar cinco anos de casados fizemos um cruzeiro para Patagônia na companhia da tua prima Maria Rita e o marido dela, que não estavam bem, lembra, aí aconteceu que....

- Cala a boca, não quero ouvir mais nada.

- Então, estou absolvido da traição involuntária com a estudante do nosso prédio? Tenho o teu perdão? Afinal me auto delatei, ninguém faz isto, e o combinado era que iria me perdoar de forma irrestrita se eu confessasse tudo, foi o que fiz.

- Vai pra puta que pariu, amanhã vou dar entrada no pedido de divórcio.

Abaixo a dose de rock do texto: 
Rock Around the Clock  - Bill Haley and His Comets
https://www.youtube.com/watch?v=ZgdufzXvjqw



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Verdades Secretas (e incômodas)

Somos Todos Barusco?
Existem diversas formas para se definir o que é um cara chato, inclusive esta, de minha lavra: é o sujeito que num churrasco de confraternização entre amigos, passa o tempo todo dizendo que a carne vermelha faz mal a saúde, o sal grosso aumenta a pressão, o álcool é um veneno para o fígado, além de citar todas as substancias químicas presentes na composição dos refrigerantes. Para arrematar diz que o gás metano desprendido pelo gado contribui para o aquecimento do planeta.

Dito isto, informo que o chato da vez sou eu. No meio da bonita e emocionante manifestação de cidadania ocorrida no dia 16 de agosto, que teve como alvo central protestar contra a corrupção desenfreada que tomou conta do país, fiquei imaginando quantos ali presentes gritando slogans contra o governo, destilando sua indignação contra algumas figurinhas carimbadas da corrupção nacional e vocalizando palavras de ordem de apoio às ações do Juiz Sérgio Moro, teriam igualmente se corrompido, provado o gosto de um pixuleco, se a oportunidade tivesse passado em frente a sua porta.

Tomemos como exemplo o caso de Pedro Barusco ex-executivo da Petrobras e atual delator premiado. Ele se formou em engenharia ingressou na Petrobras por concurso, galgou diversos postos até chegar a Superintendência de Engenharia, cargo que só se ocupa por mérito e competência. Mas vamos imaginar o que teria acontecido se ao invés de fazer engenharia tivesse escolhido a medicina e aberto um consultório de pediatria. Evidentemente é difícil responder, mas uma das possibilidades sugere que poderia estar participado das passeatas contra a roubalheira no país, pois, possivelmente, a corrupção contraria todas as regras de cidadania que aprendeu ao longo da vida. 

No rol dos acusados dos diversos casos corrupção, e não estamos nos referindo apenas a aqueles que ganharam mais destaques na mídia- o mensalão e o petrolão- e sim todos que foram descobertos nas empresas estatais, fundos de pensão, assembleias legislativas, câmara dos vereadores, poder judiciário, prefeituras e governos dos estados e federal, são milhares de casos que vieram à tona nos últimos anos, grande parte dos envolvidos eram pessoas com boa formação intelectual, oriundas de famílias bem estruturadas que lhes transmitiram exemplos edificantes em relação a valores éticos, justiça e honestidade.

A variedade do perfil profissional e funcional dos condenados ou acusados de corrupção comprova o ditado que no Brasil a ocasião faz o ladrão. Dentre os envolvidos temos ex-guerrilheiros, metalúrgicos, sindicalistas, representantes comerciais, arquitetos, secretarias, engenheiros, economistas, advogados, juízes, ministros, veterinários, ambientalistas, empresários, cientistas, políticos, médicos, comunistas, militares, religiosos, ateus, crentes, ex-líderes estudantis, síndicos de prédio, gerentes da área de compras de estatais e empresas privadas, dirigentes do MST, etc...enfim, o arco da corrupção contempla todo extrato social da atividade nacional. 

Pode-se dizer que em qualquer país o grupo de corruptos abrange os diversos segmentos da sua elite intelectual e política. Ok, verdade, só que o Brasil ocupa a 69º lugar no ranking mundial da corrupção. Trocando em miúdos, enquanto o índice do país menos corrupto, a Dinamarca, é 92, o coeficiente do Brasil é 43, ou seja, a corrupção aqui não só é culturalmente tolerada, como também praticada em doses maciças pela sociedade, e não apenas por aqueles que aparecem nos noticiários, que é a ponta do iceberg. No Japão um corrupto mequetrefe para os padrões brasileiros, renuncia, saí da vida política ou, em casos extremos, se suicida, aqui ele vira presidente - república, clube, câmara, senado, assembleia legislativa, escola de samba ou algo no gênero.  

A cultura da corrupção é diariamente comprovada através de um procedimento comum praticado por considerável parcela da população, a pessoa para não ser multada no trânsito ou para o seu estabelecimento não levar um auto de infração, apela para o famoso jeitinho (aí seu guarda/fiscal não dá para dar um jeitinho). 

O pixuleco do petrolão, considerado o “jeitinho alfa”, só causou espanto e indignação devido a sua grandiosidade, mas, num país que absolve quem rouba mas faz, vide Barbalho, Collor, Renan, Maluf, que sempre se reelegem, a corrupção é vista  como algo que faz parte da rotina do brasileiro como o torresmo, chopp e futebol no dia de domingo e o carnaval. Tradicionalmente, protesto contra corrupção não leva mais que meia dúzia de gatos pingados para as ruas. 

Pode ser que a hipótese de que parte dos brasileiros é honesta por falta de oportunidades seja radical, mas, infelizmente, os fatos que diariamente ocorrem em todo o país sinalizam nesta direção, dando outro sentido a letra da música "aí se eu te pego, delícia, delícia", cantada por alguns enquanto sonham acordado com pixulecos. 

Mas nem tudo está perdido, como mostra o estudante Lucas Yuri Bezerra, de 16 anos de Brasília, que achou no lixo uma carteira com R$ 1,6 mil. Embora sua mãe esteja desempregada e sem recursos, não pensou duas vezes, decidiu devolver o dinheiro ao seu dono, que, veio se saber, era um pedreiro aposentado que sofre de problemas no joelho e anda com dificuldades.  Detalhe, o adolescente foi tachado de otário por seus amigos de turma que diziam para ele ficar com o dinheiro. Enquanto tiver no Brasil pessoas como Lucas, existe esperança.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Carta Escrita Por Franklin Martins Endereçada para Ele


Estou em 1989, escrevo esta carta para mim mesmo,  não sei quando irei recebê-la, só espero que chegue as minhas mãos em tempo hábil.  Seu texto é um alerta para que não se repita no futuro as práticas políticas vigentes no Brasil de Sarney, Maluf, Barbalho, Quércia e outros do mesmo time, que se pauta no trinômio populismo, corrupção e nepotismo. 
É duro presenciar isto, logo eu que fui para a clandestinidade lutar contra a ditadura militar com a intenção de derrubá-la e colocar no seu lugar uma outra, a comunista, que é tão fascista como a da direita, mas, com uma diferença, é do povo, é libertadora (desde que a pessoa não vá presa ou não seja sumariamente fuzilada). Por idealismo de um Brasil melhor sequestrei embaixador, roubei bancos, fiz assalto a carro pagador com o objetivo de obter dinheiro para financiar a luta armada contra a ditadura militar, fui preso, depois o exílio, voltei e ajudei a restabelecer a democracia no Brasil, entrei para o PT.
Como estava dizendo, o nível da política chegou ao fundo do poço, nunca na história deste país se viu tanta roubalheira e é por isso envio esta carta para mim no futuro, para que sirva de alerta e me estimule a continuar lutando para que tais práticas nunca mais aconteçam no país. 
 Nesta carta tentarei resumir o quadro político atual, extraído  de um artigo que  escrevi para o Jornal do Brasil neste ano, 1989:

1-     A compra de votos, abuso do poder econômico e a utilização da máquina pública são moedas correntes na disputa eleitoral e, o que é pior, ninguém tem problema com a justiça;

2-     Para a maioria o importante é vencer as eleições, custe o que custar, se for necessário insulte-se o adversário, minta-se para os eleitores, se o preço da vitória for enganar o cidadão comum, paga-se, afinal trouxa existe para isso;

3-     Fiquei horrorizado quando Paulo Maluf disse que nas eleições vale tudo, só não vale perder;

4-     Os deputados e senadores, que gastaram milhões de dólares para se elegerem passeiam nos corredores do Congresso, são chamados de vossas excelências e gozam de imunidade parlamentar, foram bem sucedidos, afinal jogaram com a regra do jogo;

5-     Olha o tamanho do absurdo: em 1988 teve uma tremenda cheia no Acre,  morreram muitas pessoas e milhares ficaram desabrigadas. Sabe o que fez o governador Flaviano de Mello do PMDB? Segurou a distribuição dos alimentos doados por organizações humanitárias, o que só foi feita meses depois através de correligionários, na véspera da eleição de outubro, é aquele negócio os amigos do governador precisam se eleger e nada melhor do que trocar de leite em pó por votos;

6-     Este tipo de estelionato faz o eleitor achar que eleição não serve para nada;

7-     Os espertalhões só podem ser afastados da política por aqueles que já perceberam sua trapaça, inclusive os que caíram no conto do vigário uma vez e aprenderam com a experiência. Mal ou bem o povo tem a chance, no voto, de mudar a vida política do país.

8-     Para finalizar: quatro dias após eleger 22 governadores e a maioria no Congresso, o presidente José Sarney mandou o congelamento de preços às favas, os votos estavam dados e os otários já haviam cumprido o seu papel.

Você deve estar chocado com o relato, acredito que nunca viu nada parecido, mas, tenho certeza que quando o PT chegar ao poder certamente isto vai mudar, nossa gestão irá se pautar na ética, honestidade e competência, as indicações políticas e nepotismo não mais existirão, a burguesia, os empreiteiros corruptos, os banqueiros e o capital estrangeiro espoliador serão varridos do mapa.

A luta continua camarada, contamos com você aí no futuro.

Ass. Franklin Martins - Julho de1989

Resposta:

Caro Franklin ou Caro Eu no Passado

Informo que a sua carta tinha que ter chegado até 2002, mas, infelizmente, só me foi entregue em julho de 2015, culpa dos Correios que está totalmente aparelhado pelos companheiros. Sabe o que significa este atraso? Usando o idioma francês que aprendi quando estávamos exilados na França - la vache est allé au marais ou a vaca foi para o brejo, à carta chegou tarde demais.

Você vai ficar decepcionado, mas tudo que relatou continua acontecendo, só que numa escala tsunâmica. A única coisa que mudou para melhor foi o que escreveu no item 1 da carta: hoje as pessoas tem problemas com a justiça  por conta de estelionato eleitoral e corrupção.

Agora percebo que quando os companheiros criticavam as práticas políticas fisiológicas e corruptas dos partidos burgueses conservadores de direita, estavam, também, aprendendo como fazer para se perpetuar no poder, como usar a máquina administrativa em prol do no$$o projeto político, que incluía enganar os otários distribuindo vários tipos de bolsas capilé em troca de votos, quer dizer, o objetivo primeiro podia não ser este, mas o resultado, sim.

Éramos críticos ferozes e, ao mesmo tempo, alunos aplicados de tudo que tá aí, ou estava lá, passamos com louvor nas matérias ligadas a superfaturamento, esquemas off shore de remessa de grana, a utilização do patrimonialismo, nepotismo e desvio de recursos como instrumentos para se perpetuar no poder e botar algum no bolso, ato que quando praticado pela esquerda que deve ser considerado ideológico, libertador, feito em nome dos trabalhadores, afinal não é este o nome do nosso Partido, não são eles que nomeamos nas estatais e nos fundos de pensão?

Não posso escrever mais, pois tenho que ir agora para Curitiba para visitar o Zé Dirceu, nosso companheiro que também foi para a luta armada para mudar o Brasil, ele anda meio deprimido, sofre do Mal de Moro. De certa forma conseguimos mudar o país, só que para pior.

Rasgue e queime tudo que escrevi sobre ética e honestidade na política. A luta continua.

Abraço
Franklin Martins - Agosto de 2015